À espera do orçamento dos EUA, dólar tem dia de queda

O clima de tensão política na Itália e nos Estados Unidos pressiona o dólar e o euro nesta segunda-feira 

Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado, Agencia Estado

30 de setembro de 2013 | 10h02

O dólar à vista abriu em baixa e renovou as mínimas ante o real nesta segunda-feira, 30, após o Banco Central ter conseguido vender todo lote de 10 mil contratos de swap cambial no leilão diário programado, num total de US$ 497,7 milhões. Às 11h36, o dólar à vista no balcão caía 1,06%, a R$ 2,2350.

O clima de tensão política na Itália e nos Estados Unidos pressiona o dólar e o euro nesta segunda-feira, 30, dando mais força ao franco suíço e ao iene, moedas consideradas porto seguro em tempos de muita incerteza. Após acumular alta de 1,80% na semana passada, a moeda americana cai ante o real. "A pressão mais compradora do mercado deve diminuir passada a formação da Ptax do mês", observou um operador de tesouraria de banco.

O temor de paralisação do governo dos Estados Unidos caso o Congresso não aprove até o final do dia de hoje um projeto do novo Orçamento ou um plano de financiamento provisório ocupa o lugar de destaque. Mas a crise política na Itália, onde o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi tenta desestabilizar o governo de Enrico Letta, também deixa os mercados em alerta. No Brasil, o mercado já começa a digerir o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta manhã pelo Banco Central. Nos EUA, sai ainda uma bateria de indicadores.O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também participa hoje de evento em São Paulo.

Na semana passada, o dólar subiu mesmo com a ração diária de leilões do BC, ficando acima de R$ 2,25. O dólar à vista fechou em alta de 0,58%, a R$ 2,2590. No mercado futuro, o dólar para outubro subiu 0,18%, a R$ 2,2525. Como é previsto, o BC realiza leilão de swap cambial, que equivale à venda de moeda no mercado futuro, com oferta de até 10 mil contratos (US$ 500 milhões) para 3 de fevereiro de 2014. A operação está prevista para ocorrer das 9h30 às 9h40 e o resultado será disponibilizado a partir das 9h50.

Hoje termina o ano fiscal dos EUA e sem um acordo no Congresso, o governo não terá recursos para continuar funcionando normalmente. A última vez que o governo americano "fechou" foi em 1996 e por 23 dias. Fora isso, tem a questão do teto da dívida dos EUA, que deve ser atingido em 17 de outubro, a menos que seja aprovado o projeto para aumentar o limite.

Na Itália, Berlusconi pediu, no domingo, a realização de novas eleições no país, após exigir que cinco ministros do seu partido, Povo da Liberdade (PDL), renunciassem, ameaçando a coalizão do atual premiê, Enrico Letta. Ao mesmo tempo, Berlusconi enfrenta uma inesperada oposição entre seus próprios aliados, conforme apurou o correspondente Fernando Nakagawa, em Londres. Berlusconi pressiona por novas eleições em protesto contra a punição que está prestes a receber por acusações de fraude tributária.

Na Alemanha, o maiores partidos do país tentam formar uma coalizão de governo, após a vitória para mais um mandato da chanceler Angela Merkel. O assunto será discutido em reunião na próxima sexta-feira, 4 de outubro.

Leilão

O Banco Central vendeu os 10 mil contratos de swap cambial com vencimento em 3 de fevereiro de 2014, que colocou à disposição do mercado. O swap cambial é uma operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro e na operação de hoje somou US$ 497,7 milhões.

Esta operação faz parte do programa de leilões diários no mercado cambial anunciado no dia 22 de agosto e que conta com operações de swap de segunda a quinta-feira, no valor de US$ 500 milhões cada, além de leilão de linha às sextas, de US$ 1 bilhão. Por semana, são oferecidos US$ 3 bilhões ao mercado e, até o final do ano, o BC espera ofertar cerca de US$ 100 bilhões por meio desses leilões.

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