Felipe Dana/AP
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Ação da Petrobrás cai 8% e derruba Ibovespa

Bolsa fechou em queda de 2%, no patamar dos 47 mil pontos; já o dólar comercial teve valorização de quase 1%, cotado a R$ 2,716 

Ana Luísa Westphalen e Luiz Guilherme Gerbelli, Agência Estado

05 de janeiro de 2015 | 11h28

Atualizado às 20h

O Ibovespa ainda não pisou em território positivo em 2015. Depois de começar o ano com recuo de 1,16% na sexta-feira, o índice à vista fechou a sessão desta segunda-feira em queda de 2,05%, descendo à faixa dos 47 mil pontos. As perdas na Bolsa foram conduzidas pelas ações da Petrobrás, que encerraram o dia com fortes perdas. O papel ON perdeu 8,11% e fechou em R$ 8,27, o menor valor desde 6 de setembro de 2004, enquanto o PN recuou 8,01%, a R$ 8,61, menor patamar desde 8 de junho de 2005.

A queda das ações da Petrobrás é simultânea à das cotações do petróleo. Nesta segunda-feira, recuaram para abaixo dos US$ 55 pela primeira vezes em 5 anos e meio. Nesta segunda-feira, na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para fevereiro fecharam a US$ 50,04 por barril, nível mais baixo desde 28 de abril de 2009, com queda de US$ 2,65 (5,03%). Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para fevereiro fecharam a US$ 53,11 por barril, nível mais baixo desde 1.º de maio de 2009, com queda de US$ 3,31 (5,87%). 

A queda do preço do petróleo tem ocorrido por três motivos. Primeiro, há um excesso de oferta. No fim de 2014, a Arábia Saudita decidiu mater o nível de produção, e os Estados Unidos anunciaram que vão exportar até 1 milhão de barris ultraleves, aumentando a oferta mundial do produto “A questão americana influencia nas expectativas de preço”, diz Walter de Vitto, analista de petróleo da Tendências Consultoria Integrada. 

Segundo, existe uma menor demanda pelo produto por causa do crescimento mundial mais fraco. A economia chinesa está desacelerando além do previsto, os demais países emergentes também crescem pouco e a Europa dá sinais de estagnação.

Esse descasamento entre oferta e demanda fica evidente nas projeções da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Para 2015, a produção dos países não integrantes da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) deve ser de 1,3 milhão de barris diários, enquanto a demanda deve crescer 0,9 milhão de barris diários. 

Por fim, o terceiro fator que tem levado à queda nos preços do petróleo é a recuperação da economia dos Estados Unidos. A melhora da economia americana tem provocado uma valorização do dólar ante as demais moedas. “Com o dólar mais valorizado, a commodity fica mais cara e o preço nominal em dólar dela tem de cair para equilibrar o mercado”, diz de Vitto.

Os investidores também reagem à sequência das notícias sobre corrupção e má gestão que envolvem a estatal. No domingo, reportagem do jornal O Globo mostrou que a Petrobrás criou "empresas de papel" para construir e operar a rede de gasodutos Gasene.

Dólar. No mercado de câmbio, o dólar à vista passou o dia todo em alta, encerrando em R$ 2,716 (+0,89%). Na máxima, chegou a R$ 2,7300 (+1,41%). A valorização ocorreu em linha com o movimento global da moeda e com a ajuda de fatores locais. 

No exterior, pesaram sobre o câmbio as preocupações com a economia da Europa, diante do risco de uma vitória da oposição da eleição na Grécia pressionar o país a sair da zona do euro, o tombo dos preços do petróleo e as especulações de que o Banco Central Europeu (BCE) está mais próximo de lançar um programa de compras de bônus. 

No Brasil, o mercado repercutiu o anúncio da redução de 50% na oferta da "ração diária" de swap cambial e o imbróglio no fim de semana envolvendo declarações do novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, sobre o salário mínimo desautorizadas posteriormente pela presidente Dilma Rousseff.

O caso aumentou a desconfiança do mercado sobre a real disposição da presidente em realizar os ajustes necessários na economia e também sobre a autonomia da nova equipe econômica. Dilma deu uma "bronca" no ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que teve de esclarecer declarações sobre mudanças na regra de correção do salário mínimo. No sábado, de seu descanso na Bahia, Dilma telefonou para Barbosa e determinou que ele corrigisse o que havia declarado na véspera, que haveria uma nova regra de correção do salário mínimo a partir de 2016. 

Levy. Nesta segunda-feira, o destaque ficou por conta da posse do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele destacou a necessidade de reequilibrar as contas públicas para colocar o Brasil em um novo ciclo de crescimento e sinalizou que o governo pode 'ajustar' alguns tributos

"O equilíbrio fiscal já começou", destacou Levy, em referência à adequação dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e às medidas anunciadas no fim do ano passado pelo governo para diminuir os gastos com seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte e auxílio-doença. Ele ainda ressaltou que transparência e solidez nas contas públicas e estabilidade regulatória são importantes.


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