Ação do Pão de Açúcar sobe e contraria previsão

Ações preferenciais (PN) da empresa operavam em alta de 3,71%, às 11h29, contrariando a previsão de analistas, que esperavam queda no papel nesta terça-feira

Olívia Bulla, Agência Estado

28 de junho de 2011 | 11h32

As ações preferenciais (PN) do Pão de Açúcar operavam em alta de 3,71%, às 11h29, contrariando a previsão de analistas consultados pela Agência Estado mais cedo, que esperavam queda no papel nesta terça-feira, 28. Segundo eles, o azedamento das relações societárias entre o grupo brasileiro e o francês Casino exerce a principal influência negativa sobre os papéis. Apesar disso, considerando-se a operação em si, a fusão da varejista brasileira com a francesa Carrefour seria positiva, por resultar em largos ganhos de escala. No mesmo horário, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) subia 0,94%, aos 61.794 pontos.

A analista da Ativa Corretora, Júlia Monteiro, explica que a alta das ações do Pão de Açúcar na Bovespa nesta manhã ocorre porque os investidores estão buscando o preço no qual o papel é avaliado na operação, de R$ 66,00. No horário acima, a cotação das ações PN era de R$ 67,44. Além disso, ela afirma que a riqueza de detalhes da operação mostra que há grandes possibilidade de a fusão, de fato, acontecer. "O que ainda não está claro é o que o Casino pode fazer", acrescenta.

Para Júlia, apesar da fúria expressa pelo sócio francês sobre o envolvimento do empresário Abílio Diniz com o rival francês Carrefour, um entendimento das partes para o acordo proposto pode trazer vantagens ao Casino. "Ele pode ser detentor, com elevada participação acionária, em uma empresa com alta rentabilidade", avalia.

Durante entrevista à imprensa, o sócio-fundador da gestora Estater, Percio Souza, afirmou que o empresário Abílio Diniz teria participação, direta e indireta, de 17% no Novo Pão de Açúcar (NPA), empresa a ser criada após a fusão da rede brasileira com o Carrefour no Brasil. Já a rede francesa Casino teria 29%. A nova empresa nasceria com um caixa de R$ 5,7 bilhões e poderia gerar sinergias de R$ 1,8 bilhão por ano, segundo o sócio do BTG, Claudio Galeazzi.

Mas o analista da SLW Corretora, Cauê Pinheiro, aponta o azedamento das relações societárias entre Casino e o Grupo Pão de Açúcar como o principal fator negativo sobre uma eventual operação. "As ações do Pão de Açúcar devem ficar voláteis com a notícia e tendem a exibir um viés negativo, refletindo a situação divergente entre os sócios", avalia. Contudo, considerando-se o negócio em si, o especialista também acredita que a operação é positiva, pois traria ganhos de sinergia.

Da mesma opinião é o analista da Um Investimentos, Eduardo Oliveira. Para ele, no que tange às discussões entre os controladores, a notícia é negativa. Já quanto à fusão das operações, a notícia deve trazer bastante volatilidade para as ações do Pão de Açúcar, uma vez em que o grupo francês informou que irá analisar a proposta nos próximos dias.

Já o economista da Senso Corretora, Antônio César Amarante, aponta para a grande possibilidade de a operação "melar", já que "nada pode ser definido sem o aval do Casino". De fato, em comunicado, o grupo francês lembra do acordo fechado anos atrás com o Grupo Pão de Açúcar, no qual nenhuma negociação sobre o futuro da companhia poderia acontecer sem a participação de ambos. O grupo argumenta que tem poder para se opor à transação, conforme o acordo em curso. "Inicialmente, o Casino lembra desta obrigação a Abílio Diniz e Carrefour. Apesar deste aviso, eles continuaram as discussões, ignorando deliberadamente a lei e ética nos negócios fundamentais", disse o Casino, em comunicado.

Porém, como o Grupo Pão de Açúcar, em entrevista à imprensa concedida nesta manhã, detalha os moldes da fusão com o Carrefour, Amarante, da Senso, considera que o empresário Abílio Diniz pode ter alguma "carta na manga", a fim de evitar a perda do controle do Grupo - caso o Casino exerça o seu direito de preferência, válido a partir de meados de 2012. "Deve haver outras coisas nos bastidores que ainda são desconhecidas e a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sugere, inclusive, um eventual pedido por parte do governo", completa.

O Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour têm mais de 1,2 mil lojas juntos, presentes em 178 municípios do Brasil. As duas redes passam a ter juntas 27% do mercado formal brasileiro de supermercados. O Grupo Pão de Açúcar tem um total de 50 centros de distribuição, ante 17 do Carrefour.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.