Acesso da Grécia a recursos depende de plano de resgate, diz membro do BCE

O Banco Central Europeu (BCE) vai deixar de realizar empréstimos para bancos gregos se não houver um acordo que mantenha o programa de resgate do país em vigor, afirmou Erkki Liikanen, presidente do banco central da Finlândia e integrante do conselho diretor do BCE.

Estadão Conteúdo

31 de janeiro de 2015 | 10h21

Em paralelo ao programa de resgate, o BCE isentou os bancos gregos de requisitos de garantias e permitiu a eles acessar a liquidez do banco central, o que é fundamental para o funcionamento do sistema bancário.

O novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, tem adotado uma postura desafiadora em relação ao restante do bloco, insistindo que os demais membros da zona do euro concordem com um alívio da dívida.

O governo grego deixou claras suas intenções ao reverter uma série de compromissos - de privatizações a cortes no salário mínimo - adotados em troca do resgate de 240 bilhões de euros.

O governo e os credores internacionais da Grécia, liderados pela União Europeia, estão agora num impasse sobre o atual programa, que expira em fevereiro.

A desavença "tem de ser resolvida de alguma forma, caso contrário não teremos a possibilidade de continuar a estender o crédito (para os bancos gregos), declarou Liikanen.

As regras para empréstimos do BCE estipulam que o banco só pode conceder crédito para quem tiver grau de investimento, lembrou Liikanen em entrevista à emissora pública YLE.

A Grécia não tem classificação de grau de investimento, mas "fizemos uma exceção para a Grécia", afirmou ele. "Tendo em vista que (a Grécia) está sob um programa da UE e do FMI (Fundo Monetário Internacional), acreditamos que temos informações suficientes para estender o crédito", declarou Liikanen.

O BCE tem em seu poder títulos do governo grego que comprou em 2010 como parte dos esforços para garantir o funcionamento de sua política monetária.

Liikanen rejeita qualquer redução da dívida pública grega. "O BCE não pode financiar governos de forma direta. Neste caso (uma redução da dívida) significaria isso", afirmou ele. Fonte: Dow Jones Newswires.

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