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Acionistas da Petrobrás podem ficar sem dividendos em 2015

Valores podem deixar de ser pagos aos donos de ações ordinárias, caso confirmado o rombo de R$ 61,4 bilhões nas contas da estatal

André Magnabosco, Beth Moreira e Karin Sato, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 21h40


Acionistas da Petrobrás podem ficar sem receber dividendos este ano caso seja confirmado o rombo de R$ 61,4 bilhões na estatal decorrente de diferenças, para mais ou para menos, na avaliação de 52 ativos da empresa. A estimativa é de analistas do Itaú BBA, levando em conta que o ajuste seja integralmente feito no balanço de 2014. 

No resultado divulgado na madrugada desta quarta-feira, a companhia optou por não publicar ainda baixas contábeis decorrentes, entre outras coisas, do esquema de corrupção investigado na operação Lava Jato.

Segundo relatório do Itaú BBA, os acionistas atingidos seriam os donos de ações ordinárias, com direito a voto. O cálculo dos dividendos da petroleira é feito em cima de um porcentual do patrimônio líquido da ação ou do capital social da companhia, além do valor lastreado pelo lucro líquido. Os detentores de papéis preferenciais (sem direito a voto) ainda podem receber dividendos mínimos, avalia a instituição.

Já o UBS prevê que a Petrobrás não conseguirá divulgar o balanço financeiro de 2014 auditado pela PricewaterhouseCoopers (PwC) até o fim de junho. Se extrapolar esse prazo, os credores poderão antecipar a cobrança de US$ 56,7 bilhões em dívidas. Os analistas dos bancos também destacaram negativamente a redução da meta de crescimento da produção pela Petrobrás em 2015, para 4,5%. O Itaú BBA estimava alta de 8,8% na produção e o UBS, de 8,5%.

O Credit Suisse destacou que o programa de investimentos da Petrobrás para 2015, estimado entre US$ 31 bilhões e US$ 33 bilhões, representa queda de 20% sobre a média de gastos da estatal entre 2013 e 2014 (US$ 40 bilhões ao ano). 

Segundo nota divulgada nesta quarta-feira, a Petrobrás analisou os contratos de fornecimento de bens e serviços firmados entre a companhia e as empresas citadas na “operação Lava Jato”. De acordo com a estatal, de 52 ativos avaliados, 31 apresentaram valor justo inferior ao valor contábil, no total de R$ 88,6 bilhões. Os demais 21 ativos tiveram seu valor subavaliado, em R$ 27,2 bilhões. Com base nessa metodologia o impacto negativo no balanço teria sido de R$ 61,4 bilhões, cifra muito superior às expectativas do mercado.

Balanço. O balanço divulgado nesta quarta-feira sem o aval da auditoria independente e sem baixas contábeis frustrou a expectativa de investidores. Entre julho e setembro do ano passado o lucro foi de R$ 3,1 bilhões, queda de 38% em relação ao segundo trimestre de 2014 e de 9% em relação ao terceiro trimestre de 2013. O Ebitda ajustado foi de R$ 11,7 bilhões - queda de 28% ante mesmo período de 2013.

A companhia atribuiu a queda no lucro líquido ante o trimestre anterior às maiores despesas operacionais, principalmente pela baixa dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I (R$ 2,1 bilhões) e Premium II (R$ 596 milhões), devido à descontinuidade desses projetos.

Segundo a empresa, a divulgação dos resultados sem a revisão dos auditores independentes tem o objetivo de atender obrigações da companhia (covenants) em contratos de dívida e de cumprir seu dever de informar o mercado e agir com transparência no episódio da Lava Jato. A companhia diz que entende ser necessário fazer ajustes no balanço para corrigir os valores dos ativos, mas não houve consenso sobre a metodologia adequada para a correção.

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