Acionistas minoritários levam a usina Vale do Rosário

Os acionistas minoritários da usina Vale do Rosário selaram ontem a derrota do Grupo Cosan na disputa pelos ativos da empresa. O empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan, havia feito uma oferta de US$ 750 milhões por 100% do capital da Vale do Rosário. Mas os minoritários, donos de 49,8% das ações, reagiram e exerceram o direito de preferência de compra das ações que estavam nas mãos de acionistas majoritários.A operação será uma das maiores transferência de recursos para pessoas físicas da região de Ribeirão Preto (SP) e encerrou uma disputa acirrada pelo controle do segundo maior grupo usineiro do País, considerado estratégico para quem quer crescer rapidamente na produção de álcool combustível.Segundo um dos sócios da Vale do Rosário, Cícero Junqueira Franco, ontem mesmo foram feitos os pagamentos a quem queria vender suas ações. ?Foram pagos cerca de R$ 800 milhões para os acionistas que desejavam sair. Tudo foi acertado na hora.?A operação foi viabilizada pelo Bradesco, que colocou R$ 1,35 bilhão a disposição dos minoritários. Eles usaram parte dos recursos para a aquisição de 80% das ações da Vale do Rosário. O Grupo Cosan tentou barrar a operação na Justiça, mas não obteve sucesso.A parte dos recursos do Bradesco que ainda não foi utilizada será destinada a concluir a reestruturação do quadro societário. Dentro do grupo de 49,8% de acionistas que exerceram o direito de preferência e tiraram a Cosan do negócio há acionistas que querem vender suas ações da empresa.As negociações para alcançar um quadro acionário mais enxuto devem demorar cerca de 90 dias, prevê. Junqueira, que detém 8% do capital, disse que tentará elevar sua participação.Ao mesmo tempo, a Vale do Rosário mantém o plano de promover uma fusão com a Companhia Energética Santa Elisa. Juntos, o grupo teria uma capacidade de processar 20 milhões de toneladas de cana por safra. ?O processo de fusão já corre junto com a reestruturação societária?, afirma.A previsão é que a fusão traga redução de gastos de 20% a 25%. A fusão é uma das condições impostas pelas administradoras de fundos de investimentos Gávea e GG, do ex-presidente do BC, Armínio Fraga, e do ex-ministro do Planejamento, Antonio Kandir. ?São alguns dos interessados. Outro conhecido é o BNDESPar. Mas há mais gente?, diz Junqueira.OmettoO acionista da Vale do Rosário falou da vitória sobre a Cosan. ?Não quero o Ometto como sócio. Tenho medo de ser sócio dele, porque ele é mais esperto do que eu. O que dizem é que ele é muito duro com os minoritários. Só quero ele nas lutas políticas do setor?. Procurado, Ometto não quis comentar as declarações do colega usineiro.

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