Ações da Arcelor ainda vão enfrentar altos e baixos

As incertezas sobre a realização ou não de oferta pública para aquisição de ações (OPA) da siderúrgica Arcelor Brasil, por conta da fusão da sua controladora na Europa, a Arcelor com a Mittal Steel, e a possibilidade de uma discussão judicial com minoritários no Brasil estão contribuindo para aumentar a oscilação dos papéis da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A percepção do mercado é de que as dúvidas sobre o futuro da empresa geram insegurança para o investidor, que prefere não assumir riscos até que a nova política da empresa esteja definida. A analista Catarina Pedrosa, do Banif Investment Banking, explica que, na dúvida, muitos investidores preferem migrar para outros papéis, que tenham valorização garantida. "Estamos dando preferência para as ações da Gerdau." De acordo com o analista da corretora Geração Futuro Luiz Alberto Binz, parte do movimento de desvalorização dos títulos da Arcelor Brasil nos últimos dias se explica sim pela expectativa frustrada de que haveria "tag along" (direito dos acionistas minoritários de vender suas ações através de oferta pública). Passadas essas indefinições, no entanto, devem prevalecer o interesse pelas ações da empresa, por conta das previsões de crescimento da companhia. O analista ressalta ainda que a estabilidade e valorização dos papéis depende do que deve acontecer no médio prazo, depois que forem anunciados os planos da nova empresa formada entre Arcelor e Mittal para o Brasil. Binz explica que entre os questionamentos do mercado estão dúvidas como qual será o reflexo real para os ativos do Brasil, se os projetos de expansão em andamento serão mantidos, ou ainda se haverá transferência de tecnologia ou capacidade para as unidades brasileiras. Enquanto as dúvidas não são sanadas, a corretora mantém outras siderúrgicas em sua carteira, como Gerdau e Usiminas. Segundo analistas da corretora Planner, dificilmente o mercado vai querer assumir riscos de um papel cuja política vem de fora. "Não há desinteresse pela empresa, mas sim uma insegurança em relação aos papéis", destaca um analista. A Planner não trabalha com a expectativa de realização de OPA. Analistas da corretora destacam que apesar do cenário esperado, os fundamentos da empresa continuam interessantes. "Essas indefinições atrapalham o desempenho do papel, que deve seguir em compasso de espera", avaliam especialistas da instituição. O analista do Itaú Paolo Di Sora, no entanto, acredita que a volatilidade dos papéis não tem relação direta com as indefinições sobre o futuro da empresa, mas com o momento do mercado. Segundo Sora, o banco mantém recomendação de compra para os papéis da empresa, já que seus fundamentos continuam positivos. A ação ON da Arcelor era negociada ontem na Bovespa a R$ 34,30, com valorização acumulada de quase 26% no ano. Nos últimos 30 dias, Arcelor ON registra alta acumulada de 8,2%.

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