Ações da Bovespa estão baratas, mas há risco em fator externo

O investidor em bolsa tem grandes chances de ter boa rentabilidade se o quadro internacional ajudar. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por exemplo, tem espaço para voltar a subir e até superar os patamares vistos em abril, mas para isso é preciso que as incertezas no cenário externo se dissipem ou ao menos se atenuem. A visão é do gestor de renda variável da Legg Mason, Paulo Clini. A principal dúvida do mercado, explica, se concentra na magnitude da desaceleração da economia norte-americana. ?O cenário de um pouso forçado nos Estados Unidos será pior para as ações?, prevê. Clini estima que o mercado acionário brasileiro tem um potencial de até 45% de alta, em um modelo de fluxo de caixa livre dos papéis que compõem o Ibovespa, o principal índice da Bovespa. ?O comportamento do mercado externo continua essencial, mas a Bolsa, como ativo, não está cara?, avalia. As principais oportunidades do mercado neste momento, segundo o gestor, estão nos papéis cuja dinâmica depende pouco de fatores externos. É o caso, por exemplo, das empresas de construção civil. ?A expansão do crédito e a capitalização das companhias - a maior parte delas realizou ofertas há pouco tempo - favorece o setor?, afirma. Ele ressalta, contudo, que o movimento não vale para todos os papéis, já que alguns se encontram com preços considerados justos. Entre as ações de construção, o profissional destaca Duratex e Company. ?As duas empresas estão baratas, tanto em modelo de fluxo de caixa como de múltiplos, e devem apresentar um crescimento muito forte nos resultados?, calcula. No caso de Company, ele projeta uma expansão operacional de quase 300% nos próximos dois anos. Outro segmento com boas perspectivas, na análise do gestor da Legg Mason, é o de varejo, beneficiado com a queda nas taxas de desemprego, do aumento real do salário mínimo e da expansão do crédito. Segundo Clini, o papel melhor posicionado é Lojas Renner, em razão do crescimento das vendas financiadas. A outra aposta da instituição é Pão de Açúcar, apesar do ambiente um pouco mais difícil, com o recuo dos preços dos alimentos. As ações de siderurgia, embora mais ligadas ao cenário externo, também apresentam espaço para subir, segundo o especialista. ?Ainda enxergamos valor no setor. À medida que a incerteza diminuir, isso deve ficar mais claro para o mercado?, acredita. A Legg Mason, que assumiu no ano passado a área de gestão de ativos do Citigroup, administra no Brasil um total de R$ 22 bilhões em recursos, dos quais R$ 1,7 bilhão em renda variável.

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