Ações da Fosfértil podem perder com disputa entre controladores

A notícia de disputa judicial entre os dois maiores acionistas da Fosfértil, Cargill e Bunge, é negativa para a companhia, na avaliação da Fator Corretora. Em relatório divulgado na semana passada, o analista Márcio Kawassaki destaca que não há como prever o desfecho da disputa e, no curto e médio prazos, as ações da empresa devem continuar sofrendo tanto em razão da briga pelo controle quanto do cenário adverso para o setor agrícola. A Fator reforçou a classificação "Não Atraente" para os papéis da Fosfertil. Kawassaki informa que, na ata da assembléia geral ordinária da Fosfértil, realizada em 28 de abril, constam as substituições do vice-presidente do conselho da empresa, Sérgio Barroso, e do conselheiro Edvaldo Gonçalves da Silva, ambos representantes da Cargill, por dois nomes indicados pela Bunge - as duas companhias são controladoras da Fertifos, que detém 82% do capital votante da Fosfértil. "Através de um acordo, indicavam os doze conselheiros da empresa, sendo nove da Bunge e três da Cargill. Entretanto, este acordo era tácito, o que permitiu a troca dos conselheiros", explica o analista. Os mandatos dos conselheiros substituídos se encerrariam apenas em 4 de abril do ano que vem. Insatisfeita com a quebra do acordo, a Cargill entrou na Justiça com pedido de liminar, na tentativa de anular a assembléia que destituiu seus conselheiros. Para o analista da Fator, a preocupação da Cargill, veiculada pela imprensa, de que a Fosfertil pudesse a partir dessa alteração no conselho subsidiar os preços de matérias-primas para fertilizantes fornecidas para a Bunge não deve se confirmar. "Em nossa opinião, isto não ocorre, pois tanto a Bunge Fertilizantes quanto a Cargill nunca se aproveitaram do fato de controlarem a Fosfértil para comprarem as matérias-primas a preço menor que o mercado", justifica.

Agencia Estado,

20 de junho de 2006 | 07h00

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