Marcio Fernandes|Estadão
Marcio Fernandes|Estadão

Ações da Petrobrás desabam após corte em plano de investimento

Papel preferencial da estatal - sem direito a voto em assembleia - caiu 9,20%, a R$ 5,53, enquanto o ON queda 7,65% (R$ 7); queda do preço do petróleo também impactou

Antonio Pita e Fernanda Nunes , O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2016 | 10h58

RIO - A Petrobrás anunciou ontem novo corte de US$ 32 bilhões em sua estimativa de investimentos até 2019, a segunda revisão de seu plano de negócios 2015-2019, anunciado em junho. A revisão projetou, para este ano, uma cotação média de US$ 45 para o barril de petróleo, ante uma previsão anterior de US$ 55. Mas o barril atingiu ontem US$ 30. A divergência entre esse cenário e as estimativas da Petrobrás, classificadas como “irreais”, reforçou a desconfiança dos investidores e as ações da estatal caíram ao menor nível desde maio de 2004.

Diante do cenário externo desfavorável para o petróleo, executivos da estatal já consideram a possibilidade de uma nova redução nas cotações, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. A avaliação é que a cotação anunciada ontem “não é definitiva” e que pode ser revista para baixo no plano de negócios para o período 2016-2020. A previsão da empresa era divulgar o documento ainda em fevereiro, mas o anúncio do novo plano deve ser adiado para uma avaliação mais precisa da variação do petróleo. 

O plano de negócios divulgado ontem prevê um investimento total de US$ 98 bilhões até 2019, valor 24% menor que o estimado inicialmente. A Petrobrás argumentou que o corte visava “preservar os objetivos fundamentais” de redução do endividamento e geração de valor para acionistas. A meta de produção também foi rebaixada. A companhia ainda sinalizou novos cortes de gastos operacionais, mas sem precisar o montante, e manteve a meta de vender US$ 14,4 bilhões em ativos somente este ano - ponto também criticado por analistas. No pregão de ontem da Bovespa, as ações preferenciais (PN) da empresa caíram 9,20%, fechando cotadas a R$ 5,53. As ordinárias (ON) recuaram 7,65%, terminando o dia em R$ 7,00.

Mesmo com a demonstração de austeridade, as premissas econômicas adotadas não agradaram ao mercado. “Preferiríamos que a Petrobrás publicasse um plano de negócios completo, em vez de depender dos ajustes anunciados que não refletem as atuais expectativas para os preços do petróleo e para o câmbio”, disse o Itaú BBA, em relatório. Já o Credit Suisse avaliou que “se os preços do petróleo levarem mais tempo para se recuperar, a companhia terá de revisar significativamente para baixo tanto os investimentos como as metas de produção”.

Otimismo. Para analistas, a estimativa para cotação do petróleo foi “irreal” e “excessivamente otimista”. Até agosto de 2014, o barril era negociado no patamar de US$ 100. Em dezembro daquele ano, já tinha caído para US$ 50. No último ano, houve queda acumulada de 35% e já nos primeiros pregões deste ano as cotações recuaram ainda mais. Ontem, o barril chegou a ser negociado, durante o pregão em Nova York, abaixo de US$ 30, e fechou cotado a US$ 30,44. 

Nesse patamar, o preço de revenda do petróleo e seus derivados ficaria no limite de geração de retorno às empresas. Assim, projetos em desenvolvimento em todo mundo, com altos investimentos, começariam a se tornar inviáveis. Segundo a Petrobrás, o preço de equilíbrio para garantir a viabilidade da produção no pré-sal ficaria entre US$ 35 e US$ 45. Em carta encaminhada a funcionários da estatal na segunda-feira, o presidente Aldemir Bendine reconheceu a situação como um “desafio”, mas reforçou a “prioridade absoluta” ao pré-sal. 

Segundo especialistas, o tamanho do desafio é muito maior que o projetado pela empresa. Bancos como Morgan Stanley e Bank of America Merrill Lynch (BofA) já alertam para uma queda, no curto prazo, a níveis entre US$ 20 e US$ 25. Entre as razões para o cenário desalentador estão o aumento nos estoques dos EUA, após o boom de produção de óleo não convencional de xisto, a valorização do dólar e a desaceleração da economia chinesa.

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