Ações da Petrobrás desabam após divulgação de balanço

Ações da Petrobrás desabam após divulgação de balanço

As ações preferenciais da estatal afundaram 11,21%, enquanto as ordinárias recuaram 10,48%; como resultado, a Bovespa terminou o dia em queda de 1,85%

Claudia Violante, Agência Estado

28 de janeiro de 2015 | 10h32

Texto atualizado às 17h32

O comportamento do Ibovespa hoje já estava dado nos primeiros minutos da sessão. Numa forte reação ao fiasco do balanço do terceiro trimestre de 2014 - que não trouxe as tão aguardadas baixas contábeis em razão das irregularidades apuradas pela Operação Lava Jato da Polícia Federal - as ações da Petrobrás desabaram e embutiram um viés negativo por toda a bolsa brasileira. Durante a tarde, o índice chegou a amenizar um pouco as perdas, mas não mudou de trajetória. Petrobrás PN caiu 11,21%, a R$ 9,03, e a ON recuou 10,48%, a R$ 8,63, as duas principais quedas do índice, à frente de PDG ON (-5%).

O mau humor dos agentes com a estatal extrapolou para o restante da Bovespa, ainda mais diante de um cenário de dificuldades para a economia brasileira e diante da possibilidade de racionamento. 

No setor financeiro, o que detém maior fatia do índice, Bradesco PN recuou 2,39%, Itaú Unibanco PN, 2,04%, e BB ON, 4,30%. Santander Unit subiu 1,74%. Vale, que subiu em boa parte do dia, virou no final e recuou 0,26% na ON e 0,82% na PNA. 

O Ibovespa terminou o pregão em baixa de 1,85%, aos 47.694,54 pontos, menor nível desde os 47.645,87 pontos de 14 de janeiro. No mês e no ano, acumula perda de 4,62%. Já o dólar fechou em leve alta de 0,16%, a R$ 2,575.


A Petrobrás anunciou lucro líquido de R$ 3,087 bilhões, em queda de 38% ante o segundo trimestre do ano passado. O resultado não foi auditado e não inclui as baixas contábeis referente às irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato. 

A companhia revelou ter identificado uma diferença líquida de R$ 61,4 bilhões entre o valor justo de ativos analisados e o valor imobilizado dos mesmos projetos, todos com contratos assinados entre 2004 e abril de 2012. O montante corresponde a praticamente todo o lucro acumulado pela estatal desde 2012, que foi de R$ 58,191 bilhões.

Fonte ouvida pelo Broadcast informou nesta tarde que a PricewaterhouseCoopers (PwC) exigiu que a estatal consulte a SEC e a CVM, os reguladores do mercado financeiro dos Estados Unidos e do Brasil, respectivamente, sobre o melhor método para o cálculo da baixa contábil para auditar os números. Segundo essa fonte, a estatal e os consultores independentes vão continuar discutindo sobre o cálculo de baixas e, se essa conta fosse feita considerando o método de desconto de propina de 3%, a perda seria bem menor, de R$ 4 bilhões. A próxima reunião do conselho da estatal será em 6 de fevereiro. 

Ainda no âmbito da Lava Jato, a estatal rompeu na última segunda-feira contrato com a Alumini para a realização de obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A empresa, que está em processo de recuperação judicial, informou hoje em nota que a decisão foi tomada pela petroleira de forma "intempestiva" e "unilateralmente". A Alumini informou ainda que "tomará todas as medidas cabíveis" para manter o contrato.

Divulgado no leilão de fechamento da Bovespa, o resultado do encontro do Fomc não influenciou as ações brasileiras. O Fomc manteve a taxa de juros inalterada e o compromisso de ser 'paciente' antes de apertar sua política monetária.

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