Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Ações da Petrobrás têm forte alta com notícia de venda bilionária da Braskem

Estatal estaria estudando se desfazer de sua fatia da petroquímica como parte do plano de desinvestimentos

O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2015 | 11h21

Texto atualizado às 17h52

SÃO PAULO - Depois de alguma volatilidade no período da tarde, oscilando entre perdas e ganhos, o Ibovespa conseguiu garantir uma pequena elevação, a terceira consecutiva, nos ajustes finais. Mais uma vez, o estrangeiro atuou na ponta compradora, mas os ganhos acumulados em abril chamaram uma realização de lucros, ajudada ainda pelo noticiário esvaziado. Petrobras mais uma vez se destacou. 

A forte alta da estatal, mais uma vez, segurou o índice, após notícia de que a empresa estuda se desfazer de sua fatia na Braskem, pela qual pode vir a receber R$ 3,6 bilhões. O mercado também espera o balanço auditado, ainda este mês. 

A ação ON subiu 4,99% e a PN, 3,81%. 

As ações da Petrobrás intensificaram ganhos após informação apurada pelo Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, de venda de participação bilionária na Braskem, como parte do plano de desinvestimentos da ordem de US$ 13,7 bilhões.

Um analista consultado tem dúvidas sobre a concretização desse negócio no momento atual. A visão de que a Petrobrás não encontrará comprador explica a recuperação da ação da Braskem, no início desta tarde, segundo ele.

Em primeiro lugar, diz ele, porque o negócio da Braskem é muito dependente da Petrobrás, em razão do fornecimento exclusivo do nafta pela estatal. "Sem o fornecimento garantido de nafta, o case da Braskem entra em risco", explica.

Outro motivo é o fato de a Braskem ter sido citada em investigação da Lava Jato. Acusações feitas pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, dão conta de que a companhia teria obtido vantagens indevidas em acordos com a estatal. A Braskem, em nota enviada em meados de março, negou a existência de qualquer tipo de irregularidade nas negociações de compra de matéria-prima.

"A citação na Lava Jato torna o momento atual negativo para esse desinvestimento, diante da dificuldade em encontrar um comprador. Além disso, o negócio petroquímico no mundo já não se encontra em uma situação boa, por conta da queda do petróleo. Seria muito risco para um comprador neste momento", explica o analista.

Ele pontua que além do esforço para implementar seu plano de desinvestimento e da expectativa de publicação de balanço, o forte fluxo de recursos de investidores estrangeiros também tem impulsionado as ações da Petrobrás. 

Bolsa. O Ibovespa terminou o pregão com ligeira alta de 0,05%, aos 54.239,77 pontos. Na mínima, marcou 54.004 pontos (-0,39%) e, na máxima, 54.866 (+1,20%). No mês, acumula ganho de 6,04% e, no ano, de 8,46%. O giro financeiro totalizou R$ 6,535 bilhões. 

Após a máxima, ainda durante a manhã, a Bovespa perdeu força e ficou num vaivém durante a tarde, enfraquecida pelo noticiário morno e com o avanço de 6% nos dez primeiros dias do mês chamando uma realização de lucros.

Vale ON caiu 0,98% e Vale PNA, 1,56%. A S&P colocou o rating da empresa e de outras mineradoras em observação negativa. Além disso, o UBS mudou a recomendação da empresa de neutro para venda e cortou o preço-alvo do ADR.

No setor financeiro, a Fitch revisou para negativa a perspectiva dos ratings do Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco. Bradesco PN recuou 0,23%, Itaú Unibanco PN, 0,78%, e BB ON, 0,21%. Santander Unit também terminou no vermelho, com perda de 1,63%. 


Nos EUA, as bolsas terminaram em queda, num dia de pouco noticiário e com cautela à espera de novos balanços corporativos. O Dow Jones recuou 0,45%, aos 17.977,04 pontos, o S&P terminou com desvalorização de 0,46%, aos 2.092,43 pontos, e o Nasdaq terminou em baixa de 0,15%, aos 4.988,25 pontos. (Com Claudia Violante, Karin Sato, Aline Bronzati e André Magnabosco)

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