Ações da Petrobrás têm forte queda após perda de grau de investimento

Mercado reagiu ao rebaixamento da estatal ao grupo de empresas consideradas mau pagadoras pela agência Moody's

Claudia Violante, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 10h29

Texto atualizado às 17h18

As ações da Petrobrás fecharam em forte queda nesta terça-feira, 24, reagindo ao rebaixamento da nota de crédito da estatal pela agência Moody's. Os papéis ordinários da empresa recuaram 4,52% e os preferenciais, 4,87%. No pior momento do dia, chegaram a recuar mais de 8%. Já o Ibovespa fechou em leve baixa de 0,12%, para o nível dos 51.811 pontos. O dólar, por sua vez, fechou em alta de 1,24%, cotado a R$ 2,869.

Por causa da crise pela qual atravessa a Petrobrás, ela não mais é considerada pela agência Moody's como boa pagadora de seus débitos. Isso complica ainda mais a situação da companhia, que é a petroleira mais endividada do mundo. Sem o grau de investimento, o acesso a novos financiamentos fica mais difícil e a empresa pode ter de pagar juros maiores que os que conseguia até agora. Seu grau agora é considerado especulativo.

Segundo analistas, as outras duas agências de classificação de risco mais relevantes para o mercado, Fitch e S&P, tendem a seguir a mesma decisão da Moody's. Além disso, de acordo com relatório do Bank of America, dada a importância da estatal para a economia brasileira, a nota de crédito do Brasil tem pode ser revisada em breve.

Em entrevista ao Broadcast, a analista sênior da Moody's, Nymia Almeida, argumentou que cortar investimentos é insuficiente para preservar o caixa da Petrobras, porque pode afetar sua receita futura. A diferença de preços de importação e venda de combustíveis no mercado local, hoje favorável à estatal, também não adiantará para recompor caixa porque a Moody's não trabalha com a duração na baixa das cotações do petróleo.

A analista reconheceu que a venda de ativos ou a abertura de capital de subsidiárias poderia ser uma saída para gerar caixa. E, durante a tarde, uma reportagem neste sentido deu fôlego aos papéis e, por consequência, ao Ibovespa. Informação da agência Reuters de que o JPMorgan teria sido contratado para realizar a venda de US$ 3 bilhões em ativos da estatal ajudou os papéis a saírem das mínimas e terminarem com perdas menores.

Banco do Brasil também não escapou da leitura ruim que o mercado fez do rebaixamento da nota da estatal e terminou com perda de 2,11%, apesar de Eletrobras não ter seguido o mesmo caminho (ON +1,18%; PNB +1,23%).

Por incrível que pareça, outra notícia positiva extraída do noticiário negativo da Petrobrás é que o recado da Moody's criou um sentido de urgência em relação às metas fiscais no governo. Isso pode favorecer o ajuste, apesar de a presidente Dilma Rousseff ter minimizado o anúncio da Moody's. Para ela, a agência tem "falta de conhecimento do que está acontecendo no Petrobras".

A alta do dólar por causa da aversão ao risco criada pela Petrobras acabou ajudando papéis de empresas exportadoras. Fibria ON subiu 1,81%, Suzano PNA, +1,74%, e Embraer ON, +0,43%. 

Nos Estados Unidos, as ADRs da Petrobrás, que são recibos que representam as ações da companhia fora do País, fecharam em queda de quase 7%.

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