Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Ações da Petrobrás têm forte queda e puxam Ibovespa

Com queda do petróleo no exterior, papéis da estatal encerraram o pregão com perdas de 5,85%, levando a Bolsa a fechar em queda de 0,96%; dólar fechou em alta de 0,84%, a R$ 3,26

Ana Luísa Westphalen, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2016 | 17h54

O principal índice de ações da Bovespa fechou em queda nesta segunda-feira, 1º, após fechar julho com alta de mais de 11%. O Ibovespa foi pressionado pelo recuo das ações da Petrobrás, na esteira da queda do preço do petróleo, e caiu 0,96%, a 56.755 pontos. Na máxima, mais cedo, o índice subiu 0,7%, para 57.729 pontos, renovando o maior patamar durante as negociações desde maio de 2015. 

Já o dólar comercial à vista fechou em alta de 0,84%, cotado a R$ 3,2693.  A moeda abriu em alta, refletindo principalmente o cenário internacional mais adverso com a queda forte do petróleo e dados econômicos aquém do esperado. A volta dos leilões do Banco Central e a expectativa pelo retorno das atividades no Congresso também incentivaram a valorização da divisa.

Bolsa. A Bovespa iniciou o mês de agosto muito diferente de como encerrou o mês passado. Segundo operadores, nesta segunda-feira, 1º, chegou a hora de reavaliar as carteiras e devolver parte dos ganhos acumulados, num movimento de realização engatilhado pela cautela externa e, principalmente, pela fraqueza do petróleo no exterior. 

Com o barril da commodity negociado abaixo dos US$ 40 na Nymex durante boa parte da tarde, as ações da Petrobrás lideraram as perdas do Ibovespa e encerraram o pregão em queda de 5,85% (ON, ações com direto a voto) e 5,22% (PN, ações com preferência no recebimento de dividendos), devolvendo parte dos ganhos de mais de 10% do mês de julho. A pressão veio principalmente das cotações do petróleo, que caíram forte em meio a relatos de que a produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) pode ter crescido em julho e diante do aumento do número de plataformas em operação nos Estados Unidos.

Mas Vale também teve sua parcela de culpa ao terminar a sessão em queda de mais de 3%. O desempenho da mineradora, por sinal, reforça o viés técnico do pregão desta segunda-feira, uma vez que contrariou o movimento de valorização do minério de ferro no exterior.  

Dólar. Agosto começou em ritmo e cauteloso no mercado de câmbio, o que se refletiu no baixo volume de negócios e na alta do dólar frente ao real. A moeda americana já abriu em alta, refletindo principalmente o cenário internacional mais adverso, com queda forte do petróleo e dados econômicos aquém do esperado. A volta dos leilões de swap reverso do Banco Central e a expectativa pelo retorno das atividades no Congresso também incentivaram a valorização da moeda americana. 

Depois de oscilar entre a mínima de R$ 3,2466 (+0,14%) e a máxima de R$ 3,2748 (+1,01%), o dólar à vista terminou o dia cotado a R$ 3,2693, com avanço de 0,84%. Foram movimentados US$ 583 milhões em negócios (US$ 575,8 milhões em D+2). No mercado futuro, o dólar para setembro fechou em alta de 0,67%, aos R$ 3,2980. O volume financeiro negociado totalizou cerca de US$ 8,9 bilhões.

A aversão ao risco voltou a dar o tom dos negócios no mercado internacional com a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da China, que frustrou investidores. O indicador caiu para 49,9 em julho, ante 50,0 em junho, abaixo das estimativas, que previam ligeira alta, para a 50,1. O PMI industrial do Reino Unido também trouxe frustração ao cair de 52,4 em junho para 48,2 em julho. Resultados abaixo de 50 indicam desaceleração econômica.  

 

As preocupações com sinais de aumento da produção de petróleo levaram os preços da commodity a cair mais de 3% nas bolsas de Nova York e Londres, o que também influenciou o fortalecimento da moeda americana em todo o mundo. A política monetária nos Estados Unidos foi outro fator de cautela, que contribuiu para o fortalecimento do dólar. Hoje o presidente do Federal Reserve de Dallas, Robert Kaplan, afirmou que uma elevação dos juros nos Estados Unidos em setembro "está sem dúvida sobre a mesa", mesmo que o Fed tenha advertido que o crescimento econômico deve seguir modesto no restante do ano. 

Passada a disputa pela Ptax, na última sexta-feira, o Banco Central voltou a promover leilões de contratos de swap cambial reverso, que equivalem à compra de moeda no mercado futuro e ajudam a colocar mais pressão sobre as cotações. Foram vendidos todos os 10 mil contratos ofertados, o equivalente a US$ 500 milhões. /COM AGÊNCIA REUTERS

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