Ações da Vale reagem em baixa à oferta da Inco

As ações da Vale do Rio Doce reagem em baixa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ao anúncio de que a mineradora brasileira pretende comprar a produtora de níquel Inco. A Vale está oferecendo 86 dólares canadenses por ação da companhia, valor abaixo do fechamento de mercado dos papéis na Bolsa de Toronto ontem (86,25). Pelos cálculos em dólar norte-americano, a Vale deve pagar cerca de US$ 14,2 bilhões no negócio. Alguns fatores normalmente puxam para baixo ações de empresas que anunciam grandes compras: novos cálculos em função do aumento da dívida e avaliações sobre a qualidade dos ativos a serem adquiridos. Segundo uma profissional consultada, ambos os motivos não se justificam nesse caso, e os papéis da Vale deveriam estar subindo. Ela acredita que o mercado possa estar de olho na margem líquida da Inco, muito baixa na comparação com a da mineradora, de 18,5%, ante 34% (primeiro semestre deste ano). Mas, novamente, afirma que esse fato é pequeno na comparação com os ganhos que a Vale terá no negócio. A analista comenta que o mercado de minério de ferro, centro dos negócios da Vale, está consolidado. Já o de níquel está em expansão, num negócio mais rentável. Segundo informações do mercado, os estoques de níquel na London Metals Exchange (LME) estão nos níveis mais baixos em 15 anos. A profissional acrescenta que a Vale já havia anunciado sua intenção de estar entre as três maiores produtoras de níquel até o final da década. Ela afirma ainda que o nível de endividamento da Vale sobre o Ebitda é muito pequeno para uma empresa de seu porte, e estava em 0,8 vezes. A compra da Inco pela mineradora também já vinha sendo comentada no mercado. Em relatório do último dia 31 de julho, o Bear Stearns afirmava que a Vale poderia ser uma das potenciais compradoras da Inco. "Acreditamos que outras companhias podem entrar na disputa devido aos robustos fundamentos do níquel, ao forte perfil de crescimento da Inco e à existência de poucos ativos de níquel à venda", entre outros, escreviam os analistas da instituição.

Agencia Estado,

11 de agosto de 2006 | 11h19

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