Ações da Vivo e TIM oscilam ainda ao sabor de análises

As ações da Vivo seguem em alta nesta quinta-feira, novamente entre os destaques positivos do Índice Bovespa. Às 11h30, o ganho era de 1,66%, para R$ 7,34, depois de 281 negócios. Os papéis da TIM, por sua vez, mostram volatilidade. Já estiveram entre as perdas mais expressivas do indicador paulista e, instantes atrás, passaram a operar com valorização moderada de 0,60%, cotados em R$ 6,73. A elevada expectativa do mercado para os primeiros passos da consolidação do mercado brasileiro de telefonia móvel tornam o ambiente propício para a propagação de rumores e das mais diversas análises. Até que o primeiro grande passo seja dado por uma das operadoras, praticamente todas as versões que circulam nas mesas de mercado são, de alguma forma, factíveis. Os papéis da TIM estão sem direção em parte porque o mercado não sabe no que acreditar. Ontem, a imprensa italiana veiculou matéria informando que a nova estratégia operacional que será adotada pela matriz considerará as operações no Brasil como muito relevantes e com potencial de crescimento. O plano será aprovado pela Telecom Italia em reunião do conselho de administração na próxima semana. A notícia animou um pouco os investidores que acreditavam na possibilidade de a Telefónica desistir de ficar com 100% da Vivo e partir para uma aquisição da TIM. Aparentemente, essa avaliação ainda ressoa, pois as ordinárias de ambos os grupos registram movimentos coerentes com essa interpretação - que está longe de ser unânime entre os analistas. As ON da Vivo subiam módicos 0,08%, enquanto as ON da TIM registravam baixa de 0,21% - também modesta. Para um especialista do setor, a aposta de que a Telefónica trocaria a Vivo pela TIM não faz sentido do ponto de vista da disputa com o grupo mexicano Telmex. A briga desses gigantes é que ditará os próximos passos da consolidação. Isso porque não haveria justificativa razoável para crer que o grupo espanhol entregará a líder nacional de mercado, a Vivo, para ficar com a segunda colocada. Fontes que acompanham de perto os desdobramentos da companhia italiana ainda acreditam que a TIM Brasil esteja à venda e que um possível negócio possa ocorrer no curto prazo. A alienação das operações aqui seria a forma mais eficiente de levantar recursos volumosos que pudessem auxiliar Marco Tronchetti Provera - em situação financeira bastante delicada após desmembrar completamente a Pirelli - a resolver o problema das dívidas relacionadas à atividade de telecomunicações. Esse seria também um caminho menos polêmico junto às autoridades da Itália, preocupadas em evitar que o controle da empresa local saia das mãos de grupos regionais. Mas o mercado encontrou outras razões para manter as ações da Vivo em alta hoje, a despeito das dúvidas sobre o futuro da TIM. O ânimo com a movimentação societária na empresa permanece elevado, estimulado agora pelas declarações do presidente do Grupo Telefónica, Cesar Alierta, de que pretende investir ? 10 bilhões na América Latina até 2009, sendo metade em telefonia móvel e metade em banda larga. O volume poderia ser suficiente para embutir também a compra dos 50% do comando da Vivo hoje em poder da sócia Portugal Telecom (PT). Também estimulam os papéis da operadora ibérica hipótese inusitada levantada mais recentemente de que até mesmo a Portugal Telecom poderia estar interessada na TIM, em razão da consciência de que a Telefónica deve se isolar no bloco controlador da Vivo. Embora possa fazer sentido do ponto de vista operacional e estratégico, a avaliação esbarra no desafio atual da PT, que nem sequer pode garantir quem será seu controlador no futuro - pois está sob oferta hostil lançada pelo Sonaecom, desde fevereiro. Além disso, qualquer movimentação patrimonial relevante pretendida pela companhia depende, nessa situação de oferta, não apenas do aval do conselho de administração, mas também da anuência da assembléia de acionistas. O processo de oferta da Portugal Telecom continua sofrendo pequenos, mas sucessivos, atrasos. A expectativa agora é que a operadora se pronuncie amanhã a respeito das propostas da Autoridade da Concorrência (AdC) para a esperada concentração de mercado, caso a oferta do Sonaecom saia vitoriosa. Existem muitas dúvidas quanto ao desfecho dessa operação. Isso porque, apesar de aparentemente a Telefónica ter interesse em aderir, a Portugal Telecom tem conseguido atrair cada vez mais investidores para o chamado núcleo duro, que pretende barrar a oferta. Entre os pesos pesados reunidos está ninguém menos que o maior rival do grupo espanhol na América Latina, o grupo mexicano Telmex. Circulam ainda rumores locais dando conta que, sem uma elevação de preço, dificilmente o grupo do empresário português Belmiro Azevedo conseguirá concretizar seu projeto. Recentemente, ele reduziu o valor anunciado de ? 9,50 para ? 9,41 por ação da PT, em razão de a administração da empresa ter aprovado um dividendo superior ao esperado para distribuição aos atuais acionistas.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2006 | 11h49

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