Ações da WEG recebem sugestão de compra

Revisamos nossas projeções para as ações da WEG e, depois da análise de fluxo de caixa descontado a um custo médio ponderado de capital de 12,8% ao ano e crescimento nominal de 5% na perpetuidade, estimamos o novo preço-alvo em R$ 11,70 por ação, o que indica potencial de apreciação de 41% sobre o valor das ações. Alteramos também nossa recomendação de atraente para compra. Considerando o preço de fechamento de 22/06/06, as ações da WEG são negociadas a múltiplos VE/LAJIDA (valor econômico em relação ao fluxo de caixa) projetado para 2006 e para 2007 de 8,1 vezes e 6,3 vezes, respectivamente. Os principais pontos para nossa recomendação são: 1) Crescimento das vendas domésticas com a retomada da produção industrial brasileira. O desempenho do setor de bens de capital brasileiro já mostra sinais de recuperação, com crescimento de 6,7% entre janeiro e abril de 2006, segundo o IBGE, influenciado pelo ciclo de quedas na taxa de juros, estimulando a demanda, e por políticas governamentais de desoneração da cadeia produtiva. 2) Recap, redução do IPI para produtores de bens de capital e Modermaq. O reflexo desta melhora foi visível no resultado do 1º trimestre de 2006 da WEG, quando a receita bruta no mercado interno aumentou 18,5% em relação ao 1º trimestre de 2005 e; 3) Estratégia de internacionalização da companhia. Embora a receita bruta no mercado externo em reais (35% do total consolidado) tenha sido deflacionada pela valorização cambial e tenha crescido apenas 6% no 1º trimestre de 2006 (+ 29% em dólar) a principal oportunidade de crescimento da WEG está na expansão internacional. A companhia segue uma estratégia clara de aumentar sua participação atual de 4% no fragmentado mercado global de motores trifásicos. Com fábricas na Argentina, Portugal, México e China e vendas em mais de 100 países em 2005, o foco da WEG se direciona principalmente para os mercados asiáticos, através de uma fábrica de motores elétricos em Nantong (China), destinados principalmente para os segmentos de mineração, petroquímico e OEM; e para o mercado norte-americano, com a constituição da WTM (WEG Transformadores México), a partir da aquisição de 30% do capital da fabricante mexicana de transformadores Voltran, com o objetivo de atender o segmento de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição). Além de vantagens tributárias por estar em um país pertencente ao NAFTA, a fábrica mexicana servirá como plataforma de distribuição para o mercado norte-americano, com demanda elevada por produtos neste segmento. A WEG tem participação destacada em praticamente todos os setores em que atua na América Latina, com 80% de participação no mercado brasileiro de motores elétricos e uma ampla carteira de clientes. O domínio de tecnologia e reconhecimento da marca no mercado interno representam importantes diferenciais competitivos. Com uma produção altamente integrada e verticalizada, que permite a customização de seus produtos com ganhos de escala e qualidade, a empresa vem aperfeiçoando o gerenciamento de capital de giro, conseguindo alongar o prazo médio com seus fornecedores e reduzindo o prazo médio dos recebíveis / estoques. Ao mesmo tempo, a WEG vem realizando esforços no controle e redução de custos e despesas gerenciáveis, com o objetivo de compensar o impacto negativo da apreciação cambial e dos aumentos nos custos de matérias-primas, sobretudo cobre, alumínio e aço. Através de global-sourcing com fornecedores de matéria-prima, a companhia eleva a utilização de insumos importados e/ou precificados em moeda estrangeira. Atualmente, um terço do custo total está exposto a moedas estrangeiras. Com estrutura de custos predominantemente variável (70%), a empresa tem baixa alavancagem operacional, traduzindo-se em margens relativamente estáveis. Em linha com o planejamento da empresa, assumimos investimentos de R$175 milhões em 2006, equivalentes a cerca de 1,5 vez a depreciação projetada para o ano. Esta proporção deverá se manter até 2010, quando o ciclo de modernização das fábricas estiver encerrado. A partir de então, projetamos ritmo menos acelerado, com o Capex convergindo para o equivalente à depreciação. Com sólida geração de caixa operacional e significativa posição em ativos de liquidez, a companhia conseguirá cumprir seu cronograma de investimentos futuros apenas com geração própria de caixa. Assim, apesar de atuar numa indústria de capital intensivo, acreditamos que a WEG tem perspectiva atraente de pagamento de dividendos no futuro. Nosso modelo assume um índice pay-out de 43%, como indicado pela companhia. A empresa avança em transparência e boas práticas de governança corporativa. Atualmente, está listada no Nível 1 da Bovespa e concede o direito de tag-along de 80% aos detentores de ações preferenciais. No final de 2005, a empresa reestruturou o departamento de relações com investidores e adotou nova metodologia de divulgação de receitas, com base em segmentos de negócios e não mais nas especificações técnicas de seus produtos, facilitando assim o entendimento dos negócios. Em março de 2006, a empresa anunciou redução de capital, mediante entrega das ações da Perdigão detidas pela empresa, aos seus acionistas. Acreditamos que a empresa melhorará ainda mais suas práticas de governança no curto prazo e não descartamos a possibilidade da elevação do tag-along para 100% para os acionistas preferenciais ou até mesmo seu ingresso ao Novo Mercado. Dentre os riscos associados ao investimento na WEG, destacamos: 1) aumento potencial da competição com fabricantes globais de bens de capital (como ABB Group, Simens, General Electric); 2) dependência do crescimento da economia doméstica e global 3) contínua apreciação do real; 4) estrutura de custos fortemente exposta a commodities metálicas e; 5) receita fortemente correlacionada a um só setor (cerca de 80% da receita consolidada está ligada ao setor industrial). Avaliação Avaliamos a companhia pelo método de fluxo de caixa descontado (FCD) e estimamos preço alvo de R$11,70/ação, o que indica um potencial de apreciação de 41% sobre o atual valor das ações. O custo médio ponderado de capital (WACC) implícito em nossa avaliação é de 12,8%, com base na relação 40%-60% entre dívida e capital próprio e crescimento na perpetuidade de 5%.

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