Ações de construção caem após anúncio de programa do governo

Investidores divergem sobre consequências para as empresas da extensão do Minha Casa, Minha Vida

Fabiana Holtz, da Agência Estado,

29 de março de 2010 | 16h37

As ações de construtoras e incorporadoras lideravam as maiores baixas do índice nesta segunda-feira, data marcada pelo anúncio da extensão do programa habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida. Às 16h20, PDG Realty ON operava em baixa de 4,41%, seguida por MRV ON (-3,60%), Gafisa ON (-3,30%) e Cyrela ON (-2,13%). No mesmo horário, o

Ibovespa subia 1,70%, aos 69.851,44 pontos.

 

Para o analista de construção civil da Fator Corretor, Eduardo Silveira, a perspectiva de o programa atender uma parcela maior do que o esperado da faixa de 0 e 3 salários mínimos parece não ter agradado aos investidores. "Uma das interpretações possíveis para essa queda em bloco do setor é a que o programa está buscando se concentrar ainda mais na faixa menor de renda, o que fica meio fora do foco da maior parte das incorporadoras que têm participação no Minha Casa, Minha Vida, que é de 3 a 6 salários", diz Silveira.

 

Na opinião do analista da Brascan Corretora, Cristiano Hees, a extensão do programa traz maior confiança na possibilidade de se transformar o grande potencial de demanda por habitações no País em uma demanda efetiva, embora não tenha alterado a capacidade individual de cada companhia com relação aos lançamentos.

 

Hees ressalta ainda que o anúncio não trouxe esclarecimentos sobre as propostas de mudança nas ineficiências já apontadas no programa atual. "Problemas como a diferença entre Estados e segmentos de renda, suas soluções e a demora de aprovações pela Caixa Econômica Federal ainda necessitam de resposta", diz o analista, em relatório.

 

Na avaliação da Brascan, em volume de vendas contratadas, a MRV e a PDG Realty, que tem forte atuação no segmento econômico, serão as maiores beneficiadas. A Gafisa, por meio da Tenda, a Cyrela, com a Living, e a Rossi, com a marca Ideal, também deverão ser beneficiadas, apesar de estarem menos expostas nessa faixa de renda.

 

Além de incluir o Minha Casa Minha Vida no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo se comprometeu com a meta de construir 2 milhões de casas. Desse total, a perspectiva é que 60% serão para famílias com renda de até R$ 1,395 mil. O total de investimentos previstos para o programa Minha Casa Minha Vida no PAC-2, entre 2011 a 2014, é de R$ 71,7 bilhões. Desse total, R$ 62,2 bilhões vêm do Orçamento Geral da União.

 

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