Ações de empresas argentinas despencam no after hours em NY

Analista prevê um movimento generalizado de venda de ativos financeiros do país e pressão sobre o câmbio no Brasil

O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2014 | 21h17

As ações de diversas empresas argentinas negociadas nos Estados Unidos têm forte queda no after hours (negociações que ocorrem após o fechamento do pregão regular) em Nova York. O país entrou em default nesta quarta-feira, o segundo calote em 13 anos.

As ações importantes serviços financeiros argentinos e de empresas de energia são as que mais sofrem. Às 20h50, o Grupo Financeiro Galicia despencava 22%, o Banco Macro recuava 13%, a Pampa Energia perdia 18% e a YPF caía 7,7%.

Os papéis de companhias argentinas e os títulos do governo haviam sido alvo de um rali nos últimos dias, na expectativa de um acordo que encerrasse a longa disputa com os "holdouts", como são chamados os fundos que não aderiram à reestruturação da dívida do país.

O calote deve provocar nesta quinta-feira um movimento generalizado de venda de ativos financeiros do país - "sell off" -, com depreciação do peso no mercado paralelo, queda expressiva da bolsa de valores de Buenos Aires e aumento significativo do CDS de 5 anos, comentou ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Italo Lombardi, economista para a América Latina do banco Standard Chartered. 

"A Argentina está em default seletivo e isto é um fato", comentou. "É possível esperar que o CDS poderá chegar aos 2.000 pontos em alguns dias." Na avaliação de Lombardi, essa reação negativa generalizada deverá ocorrer porque nos últimos dias houve um certo alento de investidores de que algum acordo da Argentina com os holdouts poderia ser firmado, mesmo que não fosse uma solução definitiva. 

"A decepção será grande e isso é um mal-estar que poderá durar pelo menos uma semana, até que surja uma nova perspectiva de renegociação no horizonte", comentou.  

Impacto no Brasil. Para o economista, a tensão dos mercados com a Argentina afetará ligeiramente o Brasil nesta quinta-feira, especialmente com pressão sobre o câmbio, pois aumentará o cenário de crise econômica no país vizinho, o que prejudicaria as exportações nacionais e o superávit da balança comercial. 

"Nossa previsão é de queda do PIB da Argentina de 1,5% neste ano. Mas agora sobem as chances de essa retração ser maior, talvez mais próxima de 2%", disse. "Neste contexto, é possível esperar que o dólar se aprecie ante o real de 2 a 3 centavos amanhã", disse. 

(Com informações de Ricardo Leopoldo, da Agência Estado, e da Dow Jones)

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