Ações de estatais sobem 50% em cinco meses

Batizados de 'kit eleições', os papéis das estatais dispararam nos últimos cinco meses com a aposta do mercado na vitória de um candidato de oposição na eleição presidencial

Bianca Ribeiro, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2014 | 21h55

A preferência do mercado financeiro por uma mudança no governo federal já rendeu uma alta de 22,77% no índice Ibovespa nos últimos cinco meses - desde que começou a ficar clara a perspectiva de que a presidente Dilma Rousseff não venceria em primeiro turno e haveria disputa acirrada na eleição presidencial. A alta das cotações foi ainda mais forte nas ações de empresas estatais - apelidadas pelo mercado de “kit eleições” - que subiram mais de 50% neste período.

Nesta quarta-feira, foi mais um dia de aposta política na Bolsa de Valores. Com os últimos resultados das pesquisas eleitorais apontando o crescimento da candidatura de oposição de Marina Silva, o índice Bovespa subiu 1,89% e chegou a 60.950,57, maior nível desde 24 de janeiro de 2013.

Pesquisas. A primeira pesquisa que mostrou números apontando para a realização de um segundo turno foi divulgada em 27 de março pela CNI-Ibope. O levantamento trouxe uma queda na avaliação positiva do governo, para 36%, bem abaixo dos 43% observados no levantamento de dezembro de 2013.

Além disso, o porcentual daqueles que avaliavam o governo na época como ruim ou péssimo subiu de 20% para 27% no mesmo período. Até então, a presidente só havia sofrido reavaliação negativa do seu eleitorado durante a onda de protestos de junho de 2013, que fez desmoronar o índice de confiança na presidente para 48%, em comparação aos 75% do início do governo.

Rumores indicando chances da oposição na eleição aumentaram no primeiro trimestre, com a piora dos níveis de confiança do empresariado em uma recuperação da economia e também da redução da confiança dos consumidores.

Desde então, a visão dos participantes do mercado é que um novo presidente poderia estabelecer uma política mais tradicional na economia e menos intervencionista nas empresas, especialmente nas companhias estatais. 

Petrobrás. Na primeira pesquisa, os investidores já carregavam, por exemplo, a insatisfação com o governo Dilma pela gestão de preços de combustíveis e passaram a lidar também com os rumores de irregularidades na aquisição da refinaria Pasadena pela Petrobrás. 

São justamente as ações da petroleira que têm as maiores variações desde março. A ação PN da Petrobrás subiu 56% e a ON teve açta de 51%, mas todas as ações do “kit eleições” acumulam altas de dois dígitos nesses cinco meses. 

A insatisfação do setor econômico e financeiro também pesou na alta de 48,87% nas ações do Banco do Brasil. 

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