Ações de Sadia e Perdigão sobem puxadas por variação no dólar

Os papéis de Sadia e Perdigão estão nos últimos dias começando a recuperar as fortes quedas registradas praticamente desde o começo do ano. Analistas estão classificando a elevação como ajuste técnico, mas alguns fatores estão contribuindo para um cenário mais otimista. Um deles é a recuperação do dólar que tende a afetar positivamente as exportações. Considerando que metade do faturamento das empresas vem das vendas externas, a variação de centavos de dólar causa efeito de milhões na receita das companhias. Outro fator é a expectativa de recuperação das vendas a partir de julho. Além da retomada das encomendas externas, o segundo semestre tradicionalmente é positivo também para o mercado interno, destacou o analista do ABN Amro Real Corretora Pedro Galdi. E isso está começando a ser mais considerado pelo mercado, explicou Galdi. As notícias sobre gripe aviária recrudesceram, o que por si só ajuda, apesar de a situação ainda ser preocupante, já que não há garantias de controle efetivo do vírus. Pesam ainda positivamente o recente ingresso da Perdigão no Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo) e a compra da Batávia por esta companhia, o que sinaliza a redução da dependência de carnes. O analista da Fator Corretora, Marcio Kawassaki, explicou que os eventos levaram a Perdigão a uma valorização superior à da Sadia, daí os papéis acompanharem a elevação. Outra fonte, entretanto, alertou que as altas podem estar vinculadas aos efeitos de um relatório divulgado por uma casa conceituada dois dias atrás, o qual recomendou a compra dos papéis, por conta dos reflexos positivos da aquisição da Batávia ao setor, o que teria detonado este movimento de investidores. Esta fonte ponderou, contudo, que não é possível apostar tão fortemente na melhora, pois os focos de volatilidade continuam presentes. Além da gripe aviária, ele menciona a queda de 20% a 30% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) das empresas previsto para 2006 e recuo de 40% do lucro. "Este ano está ruim como não se via há muito tempo. Não dá para sair comprando só porque está barato", afirmou.

Agencia Estado,

02 de junho de 2006 | 07h00

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