Ações de siderúrgicas disparam e superam Ibovespa

Os investidores que apostaram em ações de empresas siderúrgicas no primeiro semestre de 2006 não podem reclamar. As cinco fabricantes de aço listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tiveram seus papéis apreciados, com ganhos de mais de 45% em alguns casos, ante alta de 9,5% registrada pela bolsa paulista. O grande destaque ficou com a Companhia Siderúrgica Nacional, cujos ativos subiram 53% nos primeiros seis meses do ano. A visão de alguns analistas é de que os grandes balizadores do comportamento das ações, até mais do que o próprio resultado financeiro das empresas, foram as perspectivas do mercado sobre a posição das siderúrgicas em relação ao processo de consolidação pelo qual passa o setor. Além de CSN, essa visão se refletiu também nos papéis da Usiminas, cuja alta no período alcançou 45,7%. As duas empresas são vistas como possíveis alvos de grandes companhias estrangeiras. De acordo com a analista Catarina Pedrosa, do Banif Investment Banking, o setor está negociando com um prêmio na bolsa paulista porque as expectativas de consolidação significarão oportunidades em relação às siderúrgicas do País. A analista da corretora Ágora, Cristiane Viana, concorda e destaca que o Brasil tem ativos estratégicos e extremamente rentáveis e visados neste momento.Segundo a analista da Ágora, os papéis de siderurgia como um todo ficam fortalecidos com a atual onda de fusões e aquisições, já que empresas maiores contribuem para a estabilidade de preços do aço. A consolidação representa também maior poder de barganha para as siderúrgicas em relação aos seus fornecedores e clientes. "A CSN, especificamente, ganha destaque por conta da mina Casa de Pedra, de minério de ferro, um insumo essencial para produção de aço", destaca Cristiane.A retomada dos preços dos produtos siderúrgicos no mercado internacional também influenciou positivamente o desempenho das empresas nos primeiros seis meses do ano, afetando, principalmente, as companhias de aços planos - mais uma explicação para o bom desempenho de CSN e Usiminas. De janeiro de 2006 ao final de junho, o preço da placa subiu 60%, para R$ 527,00 a tonelada. De acordo com o analista do BBI Investimentos, Fábio Barcelos Vieira, apesar de atuar também no segmento de planos, as ações da Arcelor Brasil não refletiram totalmente esse bom fundamento. Na opinião do analista, os papéis da empresa, que se valorizaram 23% nos primeiros seis meses do ano - menor índice do setor -, sofreram por conta das incertezas em relação à negociação da sua controladora com a Mittal Steel. "Ninguém sabe ainda se haverá ou não troca de controle", exemplifica. De acordo com o analista da ABN Amro Real Corretora, Pedro Galdi, o grande volume de investimentos estrangeiros na bolsa paulista impulsionou o crescimento dos negócios com papéis das siderúrgicas, o que atrapalha um pouco a análise, já que esse movimento nem sempre é justificado pelas boas premissas do setor. As ações da Acesita, fabricante de aço inox controlada pelo grupo Arcelor, registraram alta de 30,5% no primeiro semestre. O desempenho, no entanto, é reflexo direto do aumento de participação do grupo controlador na empresa, já que a companhia trabalha com um cenário de oferta maior do que a demanda. Outra empresa que não refletiu totalmente as boas premissas do setor é a Gerdau, que começou o ano com fundamentos positivos, por conta dos incentivos dados pelo governo federal ao setor de construção civil, seu principal cliente, mas fechou o semestre com alta "modesta" de 26,5%. Apesar de o desempenho ser favorável, está bastante aquém da expressiva valorização registrada por CSN e Usiminas. Para o segundo semestre de 2006, a expectativa é de que os fundamentos se mantenham inalterados, com manutenção de preços altos no mercado internacional e expectativa de demanda crescente no Brasil.

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