Ações defensivas e beneficiadas pela economia são as preferidas

Analistas sugerem que o investidor busque ações ligadas aos setores de consumos e bancos e as mais defensivas

Fátima Laranjeira, Impresso

31 Março 2018 | 05h00

Com as incertezas em torno do cenário eleitoral brasileiro e a saída recente do capital estrangeiro da Bolsa, analistas sugerem que o investidor busque ações ligadas aos setores de consumos e bancos e as mais defensivas, que devem sofrer menos caso o mercado caia. Apesar disso, avaliam também que a queda da Selic e da rentabilidade da renda fixa devem atrair mais volume financeiro para a B3.

Os estrangeiros, após entrarem com R$ 10 bilhões líquidos na Bolsa brasileira no início de 2018, passaram a sair a partir de fevereiro e o fluxo de capital internacional passou a negativo, em R$ 148,9 milhões no ano. “Se permanecer a saída de estrangeiros o Índice Bovespa tem grande chance de ceder um pouco pois o peso deles no volume negociado é de cerca de 50%”, destaca o analista da Planner, Mário Roberto Mariante. “Acreditamos que o mês de abril terá o peso do cenário político e recomendamos o posicionamento em ações de empresas menos expostas a dívida em dólares e em setores com bens de consumo e bancos, que não deverão sofrer muito se o mercado cair”, afirma.

Já Ricardo Peretti, analista do Santander, recomenda a alocação em um portfólio equilibrado de companhias que reflitam a recuperação da economia. “Acreditamos que os setores de serviços financeiros, incluindo bancos, de consumo, e de produção/exportação de commodities, como petrolíferas e produtoras de celulose, devem compor boa parcela de uma carteira recomendada ideal.”

Peretti afirma que, embora tenha havido em março venda líquida na Bolsa por parte dos estrangeiros, ele não acredita que a proximidade das eleições e/ou o fim da temporada de balanços do quarto trimestre de 2017 sejam suficientes para justificar um fluxo mais contínuo de saída de capital externo. “Aos investidores que buscam proteção de seus investimentos, uma alternativa é manter uma porção mínima de 10-20% do seu capital em moeda estrangeira. No caso das ações, empresas exportadoras líquidas, como é o caso da Suzano, podem exercer bem esta função de ‘defesa’ (hedge cambial).”

Na visão de Vitor Suzaki, da Lerosa, os estrangeiros estão saindo por conta de políticas no exterior, seja monetárias com aumento da taxa de juros nos Estados Unidos ou pela questão de protecionismo norte-americano. Ele avalia que a volatilidade na Bolsa ainda tende a prevalecer em abril, porém com menor intensidade diante de calendário sem decisões sobre os juros nos EUA ou no Brasil, mas com atenção ao cenário geopolítico, em especial a questão russa.

“Acredito que há expectativa de retorno de capital estrangeiro, assim como realocação de capital de fundos de pensão e multimercados na Bolsa, diante da redução da taxa de juros e menor rentabilidade na renda fixa. Portanto, há espaço para alocação ainda em ativos do setor financeiro, que conta com noticiário positivo como nova redução da alíquota dos compulsórios”, diz. Para ele, o setor de varejo como um todo ainda conta com bom potencial diante de melhora da atividade econômica e queda Selic.

Carlos Soares, da Magliano Invest, avalia que as opções que se apresentam seriam papéis defensivos. “Setores como Utilities (energia, água e esgoto) e exportadores, como papel e celulose – neste caso, após as movimentações no setor destacamos Klabin –, tendem a proteger o portfólio em momentos de maiores incertezas”, afirma.

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