Ações do BC não surtem efeito, dólar volta a subir e fecha a R$ 2,414

Após acumular valorização de 5% na semana passada, moeda encerrou a segunda-feira com ganhos de quase 1%, no maior valor desde março de 2009

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

19 de agosto de 2013 | 17h36

Nem mesmo três intervenções do Banco Central (BC) por meio de swaps e o anúncio de um leilão de linha (venda de dólar com compromisso de recompra) para o pregão seguinte foram capazes de segurar o avanço do dólar ante o real nesta segunda-feira, 19.

A expectativa com o início da retirada de incentivos à economia dos Estados Unidos, dados ruins da balança comercial brasileira e a desconfiança dos investidores com o País impulsionaram a moeda norte-americana. No fim, o dólar terminou em alta de 0,92%, cotado a R$ 2,4140 - maior valor de fechamento desde 2 de março de 2009. Na semana passada, a divisa já havia acumulado valorização de 5,28%. 

O dólar até caiu de manhã, com o BC fazendo dois leilões de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro). No primeiro, no início do dia, o BC vendeu 40 mil contratos (US$ 1,987 bilhões) e, no segundo, entre 10h30 e 10h40, mais 20 mil (US$ 986,1 milhões). Vale lembrar que a segunda atuação, anunciada na última sexta-feira, 16, tinha o objetivo de rolar parte dos contratos de swap que vencem no início de setembro.

Neste cenário, o dólar marcou a mínima de R$ 2,3860 (-0,25%) no balcão às 10h35. A moeda dos EUA voltou a retomar o fôlego, influenciada pelo exterior e por certa desconfiança quanto à condução da política econômica do governo, conforme profissionais das mesas de operação. Na máxima, às 15h11, o dólar chegou a R$ 2,4260 (+1,42%).

'O céu é o limite'. Pouco depois de o dólar atingir a máxima, o BC anunciou o terceiro leilão de swap, em que vendeu apenas 12.550 contratos (US$ 627,9 milhões) do total de 40 mil oferecidos. Às 15h31, o BC voltou à carga e anunciou um leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para terça-feira, 20. "O céu é o limite", afirmou no meio da tarde Luiz Carlos Baldan, diretor da Fourtrade corretora, ao avaliar o avanço do dólar.

Segundo ele, a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) inicie a redução de estímulos em setembro deixa a autoridade monetária brasileira "com a corda no pescoço". "O BC insiste em fazer swap cambial, mas continuamos com o dólar em alta. Se ele não fizer venda de dólar à vista, não vai resolver", comentou. Para Baldan, até mesmo o leilão de linha previsto para o próximo pregão tende a não ser tão eficaz para conter as cotações.

Dólar a R$ 2,50. Outro profissional da mesa de câmbio de um grande banco destacou que também foi um dia de pressão de alta no exterior em função do Fed. No Brasil, o movimento é exacerbado, porque "o sentimento em relação à nossa economia não é bom". Circularam nas mesas de operação comentários de que o governo trabalharia com a perspectiva de um dólar a R$ 2,50 no fim do ano. Para piorar, vieram dados da balança comercial que, na terceira semana do mês, teve déficit de US$ 334 milhões.

Após o fechamento dos negócios, o BC anunciou novo leilão de swap para terça, das 10h30 às 10h40. Mais uma vez, serão ofertados 20 mil contratos (US$ 1 bilhão) para rolar vencimentos previstos para setembro. Às 17h17, o dólar para setembro tinha alta de 0,85%, valendo R$ 2,4220 no mercado futuro.

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