Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Valor de mercado do Bradesco cai R$ 6 bi

Ações do banco caíram 5% na Bovespa após notícia do indiciamento do presidente da instituição; em Nova York queda foi de 5,58%

O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2016 | 15h56
Atualizado 02 de junho de 2016 | 10h07

SÃO PAULO e NOVA YORK - A notícia de que a Polícia Federal pediu o indiciamento do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e de outros dois executivos do banco, no âmbito da Operação Zelotes fez o banco perder cerca de R$ 6 bilhões em valor de mercado, de R$ 136 bilhões para R$ 130 bilhões, apenas ontem, com a queda das ações. Um novo desdobramento da Zelotes envolvendo o Bradesco já era esperado na instituição, mas o envolvimento do nome de Trabuco causou surpresa, conforme fontes ouvidas pelo Estado e pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

“Tão rápido quanto veio, será desmontada”, disse, confiante, um alto executivo do banco, na condição de anonimato. As investigações da Polícia Federal indicam a existência de conversas entre Trabuco e executivos do banco, o vice presidente Domingos Abreu e o diretor de relações com investidores, Luiz Carlos Angelotti, com o grupo acusado de corromper integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para tentar anular um débito de R$ 3 bilhões da instituição com a Receita Federal. 

Em nota, o Bradesco negou a contratação de serviços do grupo investigado na Zelotes e também que Trabuco tenha participado de quaisquer conversas. A instituição destacou ainda que foi derrotada por seis votos a zero no julgamento do Carf. “O Bradesco irá apresentar seus argumentos juridicamente, por meio do seu corpo de advogados. O Bradesco reitera seus elevados padrões de conduta ética e reafirma sua confiança na Justiça”, acrescentou o banco, em nota enviada. “A companhia jamais prometeu, ofereceu ou deu vantagem indevida a quaisquer pessoas, inclusive a funcionários públicos, para encaminhamento de assuntos fiscais ou de qualquer outra natureza.” 

Um analista de mercado avalia que o assunto, além de “delicado”, é “obviamente ruim” para o banco, que aguarda o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para integrar o HSBC. 

Sucessão. Trabuco é tido como sucessor natural de Lázaro de Melo Brandão na presidência do conselho de administração do banco. Em outubro próximo, ele completa 65 anos, idade limite para presidir a insitituição. Se todos os procedimentos forem mantidos, sua saída deve ocorrer após a assembleia, agendada para março do ano seguinte. 

As ações preferenciais do Bradesco, que chegaram a cair mais de 7% após a Coluna do Estadão ter antecipado a notícia, encerraram o pregão com queda de 5%, cotadas a R$ 22,80. Os papéis ordinários recuaram 3,69%, a R$ 24,51. No exterior, a notícia fez com que os bônus com vencimento em 2019 do Bradesco caíssem 1,4%, cedendo de 109% do valor de face antes da divulgação da informação para 107,50% do valor de face. Os American Depositary Receitps (ADRs), recibos de ações listados na Bolsa de Nova York fecharam em queda de 5,58%, a US$ 6,26, cotação mínima desde 16 de março, quando o papel fechou em US$ 5,94. / JOSETTE GOULART, ALINE BRONZATI, CYNTHIA DECLOEDT e ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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