Amauri Nehn|Pagos
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Bolsa volta aos 80 mil pontos e dólar fecha no menor valor em dois meses

Bolsa fechou o pregão em alta de 1,34% aos 80.218,04 pontos; dólar recua 1,04%, cotado a R$ 3,7045

Karla Spotorno, Simone Cavalcanti, Wagner Gomes e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2018 | 16h13

Uma quarta-feira, 25, de boas notícias tanto no mercado brasileiro quanto pelo mundo faz a Bolsa de Valores, B3, registrar forte valorização e a cotação do dólar perder valor frente o real.

Uma conjunção de fatores positivos, que incluem a divulgação do balanço financeiro do Santander, o maior banco estrangeiro em atuação no País, e a redução no ímpeto de Donald Trump e sua guerra comercial contra o Planeta anima os investidores. 

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou o dia em alta de 1,34%, aos 80.218,04 pontos. A Bolsa não fechava o pregão no patamar dos 80 mil pontos desde o dia 23 de maio.

O dólar à vista, por sua vez, fechou o dia em queda de 1,04%, cotado a R$ 3,7045. O valor para a moeda também é o menor em dois meses.

Cenário externo

Após diversos ataques em falas públicas e tuítes com acusações de concorrência desleal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta tarde na Casa Branca o chefe do braço executivo da União Europeia. No encontro, o presidente americano fez o que mais gosta: negociar.

"Queremos ter um bom acordo comercial com a União Europeia, assim como com nossos outros aliados", disse Trump, ao receber Juncker na Casa Branca. O líder da Comissão Europeia retrucou: "Necessitamos focar na redução de tarifas, não no aumento de barreiras".

Antes da divulgação oficial do resultado da negociação com Bruxelas, uma fonte ouvida europeia pela Dow Jones Newswires disse que o bloco decidiu ceder em alguns aspectos para evitar a guerra comercial. Entre os pontos acertados, a UE irá importar mais soja dos EUA e em reduzir tarifas industriais.

Trump disse ainda que vai resolver com a UE as questões retaliatórias referentes a tarifas de aço e alumínio e que os dois líderes vão trabalhar juntos para reformar a Organização Mundial do Comércio (OMC). Ambas as partes concordaram também em zerar tarifas, barreiras e subsídios, excluindo aqueles referentes a automóveis, durante o período de negociações. "Enquanto EUA e UE estiverem negociando, não haverá mais tarifas", ressaltou Juncker.

A notícia impulsionou o apetite generalizado por risco nos trinta últimos minutos do pregão regular americano. Os juros dos Treasuries longos inverteram o sinal e passaram a subir, ao mesmo tempo que as bolsas renovaram seguidas máximas.

Bolsa

A Bolsa brasileira acompanhou o apetite por risco, incentivado pelas boas notícias no cenário internacional e desde o início do dia operou em alta. Com resultados mais fortes que o esperado, as ações de empresas, como Pão de Açúcar e Santander, que divulgaram seus números entre a noite desta segunda, 23, e a manhã desta quarta-feira, 25, foram destaque na bolsa. Pão de Açúcar subiu mais de 7% e liderou as altas do Ibovespa. Santander não apenas registrou bom desempenho como também puxou os papéis de outros bancos.

"O desempenho do setor financeiro hoje na bolsa foi um reflexo do balanço do Santander. Os papéis de outros bancos acabaram subindo na expectativa de que os próximos balanços também venham positivos. No ano, o setor apresenta um excelente resultado, com alta, por exemplo, de até 15% no preço das ações do Itaú, 7,38% no BB e 3,8% no Bradesco", destaca Luiz Roberto Monteiro, operador da Corretora Renascença.

As ações dos bancos, que têm grande peso no índice, subiram em bloco neste pregão. As units do Santander tiveram a maior alta entre as grandes instituições, com ganho de 5,26%, a R$ 35,84. Também fecharam no campo positivo Bradesco ON (2,46%, a FR$ 28,70), Bradesco PN (1,82%, a R$ 31,36), Itaú PN (3,15%, a R$ 46,79) e Banco do Brasil ON (1,60%, a R$ 33,57).

O otimismo com o resultado do Santander no Brasil prevaleceu. O banco foi o primeiro a divulgar os resultados entre as grandes instituições. O lucro líquido no conceito gerencial, que não exclui o ágio de aquisições, foi de R$ 3,025 bilhões no segundo trimestre. o BTG Pactual avaliou os números, no geral, como fortes em praticamente todos as linhas.

Outra empresa que teve destaque no pregão desta quarta-feira foi a Eletrobrás. A expectativa com o leilão de privatização da Companhia Energética do Piauí (Cepisa), nesta quinta-feira, fez as ações da companhia ganharem força . Os papéis ordinários da companhia tiveram alta de 4,49%, para R$ 17,92, e os PNB subiram 4,61%, para R$ 20,19. "O leilão já é amanhã e ninguém conseguiu cancelar. Isso significa que os próximos certames seguirão o mesmo caminho", diz Monteiro. Da Renascença.

Dólar em queda

O dólar perdeu valor ante todas as moedas de economias emergentes e fechou o dia em queda de 1,04%, cotado a R$ 3,7045. O valor para a moeda também é o menor desde o dia 25 de maio, quando fechou cotada em R$ 3,66.

A desvalorização da divisa ocorreu em função do aumento das expectativas em relação ao encontro entre presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Pouco antes do início da reunião, Trump afirmou que deseja ter um pacto comercial justo com a União Europeia. "Espero que possamos resolver algo", disse o presidente americano ao lado de Juncker. O líder europeu, por sua vez, comentou que "necessitamos focar na redução de tarifas, e não no aumento" e que os dois lados são aliados, e não inimigos. Às 16h20, o dólar à vista caía 0,94%, aos R$ 3,7088.

Há pouco, fontes ouvidas pela Dow Jones afirmaram que a Trump assegurou a concessão de europeus para evitar a guerra comercial, que a União Europeia concordou em importar mais soja dos Estados Unidos e reduzir tarifas industriais.

Na mínima do dia, o dólar chegou a marcar R$ 3,69, em queda de 1,22%. "A desvalorização do dólar resulta de um conjunto de fatores. Um deles é a ausência de notícias negativas", complementa a estrategista do banco Ourinvest, Fernanda Consorte. Na cena externa, ela observa que o noticiário desta quarta-feira não trouxe nenhuma surpresa negativa ou que elevasse a já tensa relação entre gigantes do comércio global.

Ao contrário disso, o noticiário dos últimos dias tem como destaque uma série de iniciativas a favor do livre comércio, como ressaltou Fernanda. Ela citou a aproximação da União Europeia com o Japão, o tom da reunião do G-20 no fim de semana passado, o fórum que reúne representantes dos Brics na África do Sul, entre outros. "O mundo está tentando se unir contra a guerra comercial", afirmou Fernanda. 

Esse contexto mais positivo não significa, entretanto, que a tendência para o dólar passa a ser de baixa, especialmente diante da corrida presidencial no Brasil, que segue aberta e traz, dizem os analistas de forma unânime, muita volatilidade aos preços dos ativos no Brasil. "A campanha eleitoral começando para valer em agosto, a volta do recesso [do Congresso], a publicação de novas pesquisas eleitorais irão adicionar mais volatilidade no mercado", afirmou Fernanda.

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