Ações na China sobem com expectativas de estímulo; commodities pesam em Sydney

Os mercados de ações da região da Ásia e do Pacífico fecharam em direções divergentes no último pregão do ano, o que refletiu também os distintos caminhos nos resultados acumulados de 2014. Os papéis na China continental foram impulsionadas por expectativas de novas medidas de estímulo e encerraram a sessão com forte ganho, levando ao melhor resultado anual desde 2009. Por outro lado, as ações na Austrália terminaram o dia com leve baixa e tiveram o pior desempenho anual em três anos, diante do contínuo enfraquecimento de preços de commodities.

LUCAS HIRATA, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES, Estadão Conteúdo

31 Dezembro 2014 | 08h41

As ações nas bolsas de Xangai e Shenzhen encerraram em alta nesta quarta-feira, em meio a expectativas de que as autoridades no país deverão anunciar novas medidas de estímulo em 2015 para evitar um enfraquecimento econômico muito acentuado.

Durante a sessão, a ideia de um relaxamento maior na política chinesa foi alimentada pelo índice dos gerentes de compras (PMI) industrial do país, que caiu para 49,6 na leitura final de

dezembro, ante resultado de 50,0 novembro, segundo dados do banco HSBC. A leitura preliminar indicava uma queda maior, para 49,5 em dezembro. Esta é a primeira vez que o indicador fica abaixo de 50, o que indica contração na atividade do setor na comparação com o mês anterior.

Com isso, o índice Xangai Composto encerrou o dia com alta de 2,18%, aos 3.234,68 pontos, levando a um ganho anual de 52,87%. Dentre os fatores para a forte resultado em 2014, a ações subiram após o Banco do Povo da China (PBOC) reduzir as taxas de juros no mês passado. Com isso, o índice teve elevação de 21% só em dezembro. O Shenzhen Composto, por sua vez, teve alta de 1,19% na sessão, aos 1.415,19 pontos, com valorização de 34,03% no ano.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 0,44%, aos 23.605,04 pontos, com alta de 1,28% no acumulado de 2014, ficando bem atrás das bolsas da China continental. Empresas chinesas listadas no local foram mais suscetíveis a preocupações sobre a desaceleração do crescimento econômico chinês e o índice local foi menos impulsionado por pequenos investidores do que por investidores institucionais. As compras feitas por investidores chineses de varejo locais forneceram um grande impulso para volumes e ganhos em Xangai neste ano.

O último dia de negociação do ano foi pressionado para baixo por preocupações em relação a crise política na Grécia, onde eleições antecipadas e a possibilidade de uma vitória da oposição podem continuar a dificultar a recuperação na zona do euro.

O índice sul-coreano Kospi e o japonês Nikkei permaneceram fechados na quarta-feira. O primeiro registrou perda de 4,76% no ano e o segundo teve alta de 7,12% em 2014. As ações na Malásia caíram ligeiramente no último dia de negociação em 2014, fechando o ano como o mercado asiático de pior desempenho. O Índice Composto de Kuala Lumpur (KLCI) cedeu 0,32%, a 1.761,25 pontos na quarta-feira, trazendo perdas totais deste ano para 5,7%. Como um dos dois únicos exportadores líquidos de petróleo na região, a Malásia está enfrentando riscos de uma desaceleração econômica por causa dos preços da commodity.

Austrália

Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 cedeu 0,10%, a 5.411,00 pontos, em Sydney. Além das questões pontuais, como crises geopolíticas pelo mundo, o mercado local foi prejudicado pela contínua queda nos preços das commodities e temores sobre a demanda vinda da China. O índice teve perda de pouco mais de 1% no ano, o pior resultado desde 2011.

O minério de ferro e carvão são os dois maiores ativos de exportação da Austrália e a China é seu maior parceiro comercial. Os preços do minério de ferro caíram pela metade neste ano, uma vez que grandes produtores, incluindo a BHP e Rio Tinto, aumentaram a oferta depois de anos de investimento em construção da minas e infraestrutura de exportação. As ações da BHP e Rio Tinto caíram 23% e 15%, respectivamente, em 2014. Os papéis da Fortescue Metals Group perderam 53%.

No dia, as ações da BHP perderam 0,37%, os da Rio Tinto ganharam 0,76 e os da Fortescue recuaram 0,36%.

Empresas de energia australianas também foram prejudicas neste ano, embora a produção de petróleo relativamente modesta do país tenha protegido o setor da recente queda nos preços da commodity.

A Austrália está prestes a se tornar o maior exportador mundial de gás natural liquefeito (GNL) em 2018 e tem sete terminais gigantes de exportação em construção. O problema é que o preço do GNL nos mercados asiáticos é vendido a valores ligados aos de petróleo. As ações da Santos, que está construindo uma usina de GNL no estado de Queensland com a Total, terminaram o ano 44% mais baixas. As papéis da Woodside Petroleum e da Oil Search perderam 2% e 3%, respectivamente.

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