Ações ON da Telemar ainda são bom negócio, apesar da CVM

O banco de investimentos Merrill Lynch reiterou a recomendação de compra para as ações ordinárias (ON) da Telemar, com preço-alvo em 12 meses de R$ 90, e neutra para as ações preferenciais (PN), com preço-alvo de R$ 34, após a divulgação de um parecer da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que favorece os preferencialistas ao impedir que os ordinaristas votem na reestruturação já anunciada da empresa. Na terça-feira, os papéis ON fecharam os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo cotados em R$ 60,46, e os papéis PN, em R$ 30. Considerando os valores previstos pelo Merrill Lynch, essas ações podem se valorizar, até agosto de 2007, em 48,8% e 13,3%, respectivamente. Em relatório, os analistas Mauricio Fernandes e Gláucia Renda disseram que três resultados possíveis os levam a manter a recomendação. O primeiro deles é que a reestruturação acionária seja aprovada como foi proposta originalmente, caso em que a ação ON poderá atingir R$ 90 e a PN, R$ 34. "Ainda acreditamos que esse seja o cenário mais provável. Primeiro, porque os minoritários ordinaristas que possuem PNs querem a reestruturação aprovada (embora sua capacidade para votar dependa ainda de confirmação). Segundo, porque muitos preferencialistas que vêm comprando PNs nas últimas semanas provavelmente querem que a reestruturação seja aprovada dado seu potencial de valorização para as ações (além de dividendos mais elevados)." Um segundo cenário possível, segundo os analistas do Merrill, é que os preferencialistas não aprovem a transação, o que levaria a Telemar a modificar os termos. Para Fernandes e Renda, isso seria positivo para ambas as classes de ações. "Se as novas razões de troca forem 10% diferentes dos termos originalmente propostos, resultando em uma relação ON/PN de 2,13, nossas estimativas para os preços de ON e PN iriam para R$ 81 e R$ 38, respectivamente." Com isso, os potenciais de valorização seriam de 33,9% e 26,6%. O terceiro cenário, em que a transação não seria aprovada e a Telemar desistiria dela, de acordo com o relatório, seria o menos favorável para os preferencialistas, "porque manteria o status quo com direitos limitados aos acionistas". "Se a reestruturação falhar, nós ainda assim preferiríamos a ON ante a PN, apesar da volatilidade esperada à ordinária", acrescenta o documento. O relatório afirma que, se os controladores da empresa desistirem do acordo, um comprador estratégico pode aparecer e, nesse caso, restaria aos preferencialistas apenas torcerem para que suas ações sejam compradas com um prêmio. Os analistas afirmaram ainda que, falando genericamente, os portadores de ações PN parecem mais protegidos com a decisão da CVM. Mas isso não significa que eles irão se beneficiar da atividade potencial de fusões e aquisições porque as novas regras da comissão foram anunciadas para transações especificamente relacionadas a ações, diz o relatório. Os controladores da Brasil Telecom Participações, por exemplo, deverão estudar uma reestruturação nos moldes da Telemar - caso esta seja bem sucedida - como uma alternativa para a venda de sua fatia, acreditam os analistas. "Entretanto, se a nova interpretação da CVM arruinar a proposta da TNE, a BRP deverá procurar um comprador estratégico que poderá ou não fazer uma oferta pelas PNs."

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