Ações ON de telecomunicações são mais caras que PN, mas mais seguras

As ações ordinárias (ON) do setor de telecomunicações estão com cotação muito maior que as ações preferenciais (PN). Nos casos de Telemig Celular Participações, Tele Norte Celular Participações, Brasil Telecom Participações e Tele Norte Leste Participações, o sobrepreço é superior a 100%. Vivo ON tem cotação quase 75% superior à PN e TIM ON, 36,5% maior. A situação, segundo especialistas, é fruto da expectativa de consolidação que existe na maioria das companhias e também da percepção de diferença de valor entre as duas espécies de ações - ON dá direito a voto -, por se tratar de um setor sem nenhum diferencial de governança corporativa e com histórico negativo de tratamento aos acionistas minoritários. Em relatório de quarta-feira sobre o tema, os analistas do Bear Stearns Rizwan Ali e Miguel Garcia escrevem que o cenário não é surpreendente para as operadoras mineira e do norte do País, dada a aposta de mudança de controle. Porém, eles alertam que a cotação das ações com direito a voto da Telemig Celular está aproximadamente 34% acima do preço-alvo para 12 meses calculado para a companhia. Ou seja, a ação, hoje, já está com preço muito acima do que o que deveria ter daqui a um ano. O mesmo ocorre para Tele Norte Celular ON, cuja cotação está cerca de 28,5% maior do que o valor econômico estimado para os papéis em 12 meses. Carlos Constantini, especialista do Deutsche Bank, acredita que estar ao lado do controlador no setor de telecomunicações - isto é, possuir ação ON, ao invés de PN - tende a ser um posicionamento mais seguro. No entanto, para ele, o cenário ideal - porém difícil de ser praticado - é a composição de uma carteira de ordinárias e preferenciais que replique a divisão do capital da empresa. "Dessa forma, se houver transferência de valor entre as espécies de ações, o investidor estará protegido." A analista da BES Securities, Luciana Leocádio, acredita que o prêmio tão acentuado das ações ordinárias sobre as preferenciais deve-se à combinação de expectativa de troca de controle com o histórico de reestruturações negativas para os preferencialistas. Para Constantini, no setor de telecomunicações, a reorganização proposta pela Telemar foi um divisor de águas na percepção de valor entre as espécies de ações, embora este sentimento já tivesse sido despertado por operações de outros segmentos da economia. O projeto de reestruturação da Telemar, paralisado pelo momento negativo do mercado, concentrou todo o valor econômico da companhia nos papéis com direito a voto. No momento de estruturar a operação, os controladores calcularam o valor da empresa, subtraíram o total das preferenciais por uma média ponderada das últimas cotações de mercado e o restante atribuíram às ações ordinárias. O resultado final do projeto é que, se concretizado no formato desenhado, os preferencialistas terão sua participação reduzida na nova companhia e os ordinaristas ampliarão sua fatia substancialmente - especialmente os controladores. Ali e Garcia, do Bear Stearns, comentam que, no caso de TIM, a diferença entre as ON e PN advém da expectativa de uma possível fusão com a Brasil Telecom. O entendimento é que o controlador italiano poderia preservar sua situação, em detrimento ao preferencialista. Por conta dessa avaliação, inclusive, é que havia um receio no mercado de que a oferta de ações PN da TIM pudesse significar um aumento do risco para os minoritários desses papéis. Isto porque, como está hoje, o sócio majoritário da empresa seria prejudicado se estruturasse alguma operação em que houvesse diferença significativa no tratamento das ON e das PN. O cenário de Vivo, por sua vez, envolve duas expectativas. A primeira é a aposta de que o controle da companhia fique apenas com a Telefónica, pois a Portugal Telecom ou seu novo controlador poderiam desistir da posição em parceria no Brasil. Embora haja controvérsias, haveria espaço para um debate favorável ao tag along (direito de receber o mesmo prêmio pago ao controlador no caso de venda do controle da companhia) aos ordinaristas da empresa brasileira. A segunda expectativa é de que, ao consolidar-se como única controladora, a Telefónica promoveria a unificação societária entre a Vivo e a Telesp. É nesta etapa, especialmente, que os analistas vêem risco para as ações preferenciais. No entanto, vale lembrar que a Portugal Telecom está sob um processo de oferta hostil, lançada em fevereiro pelo conglomerado Sonae, cujo processo deve terminar, na melhor das hipóteses, somente no final de outubro. Até lá, a Portugal Telecom não pode sofrer nenhuma alteração expressiva de seu patrimônio, comprando ou vendendo ativos - pois isto alteraria significativamente os rumos da oferta. No momento, a proposta do Sonae está sob análise do órgão de concorrência português, o que impede a continuidade do processo de aprovação ou não pelos acionistas.

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