Acordo cria a maior empresa de TV a cabo da AL

Um acordo entre o Grupo Clarín (o maior grupo multimídia da Argentina) e o fundo americano de investimentos Fintech Advisory, presidido pelo mexicano David Martínez, criou a maior rede de TV a cabo da Argentina e de toda a América Latina, ao adquirir a maioria acionária dos dois maiores sistemas de cabo do país, a Cablevisión e a Multicanal. No continente, a união dos dois grupos só será superada por empresas americanas e canadenses. Na Argentina, a fusão também cria a maior empresa de internet por banda larga.Os analistas calculam que a fusão proporcionará grandes chances para que os dois grupos possam juntos competir regionalmente no mercado de distribuição audiovisual. Além disso, os posiciona como plataforma para a produção e exportação de conteúdos. A operação envolve US$ 1,1 bilhão, entre ativos, ações e pagamento em dinheiro.A união das duas empresas cria uma rede de TV a cabo que atenderá 2,7 milhões de assinantes, ou 47,3% do mercado de 5,7 milhões de pessoas em toda a Argentina (com a fusão, o Grupo Clarín e o Fintech atenderão 25% das casas do país). O setor de TV a cabo na Argentina está significativamente dividido entre seis grandes empresas e outras 600 menores, que se dedicam a atender as cidades do interior.Segundo dados da consultoria Convergencia Research, a fusão proporcionará um volume de clientes substancialmente superior aos da brasileira Net Serviços (com 1,6 milhão de assinantes), a chilena VTR (com 928 mil assinantes) e a mexicana Megacable (com 751 mil). Na internet, a fusão implicará numa porção de 38,1% do 1,2 milhão de assinantes de banda larga da Argentina.Até a aquisição da participação acionária, o Grupo Clarín possuía 25% das ações da Cablevision. Com a compra, junto com o Fintech, adquiriram os 40% que estavam nas mãos do fundo Hicks, Muse, Tate & Furst. Outros 10% pertenciam a investidores privados.O Grupo Clarín controlará 60% da empresa, enquanto o Fintec terá 40%. Os dois grupos anunciaram que calculam um investimento de US$ 600 milhões nos próximos anos no desenvolvimento de infra-estrutura e modernização das redes. A ênfase deste investimento será na digitalização e nos serviços de banda larga. Grupos multimídia e jornais rivais do Clarín alertaram para o risco de que a empresa se transforme em um monopólio.

Agencia Estado,

29 de setembro de 2006 | 15h25

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