Acordo entre Ripasa e acionistas é positivo

Os termos do desfecho da disputa entre minoritários de Ripasa e as controladoras da companhia, Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Suzano Papel e Celulose, foram bem recebidos pelo mercado. Segundo o analista da corretora Merrill Lynch, Marcelo Aguiar, o preço por ação de R$ 5,35 (R$ 4,30 em papéis de VCP e Suzano e R$ 1,05 em dinheiro) a ser pago aos preferencialistas da Ripasa ficou abaixo do preço justo calculado pelo banco com base no fluxo de caixa descontado, de R$ 5,75. "Mesmo com o prêmio, as empresas pagaram abaixo do que seria o valor justo", defende. Em relação ao preço inicial da relação de troca, o prêmio é de 24%. O especialista aponta ainda que Suzano e VCP poderão se beneficiar de sinergias adicionais às já anunciadas, de R$ 1,1 bilhão, a partir do encerramento da reestruturação da Ripasa. Em sua avaliação, esse valor adicional, que ainda não foi mensurado pelas empresas, pode alcançar R$ 470 milhões. "Há potencial de R$ 250 milhões em sinergias comerciais, R$ 120 milhões em sinergias fiscais e R$ 100 milhões de dedução de Imposto de Renda em decorrência do ágio gerado com o pagamento aos minoritários", acrescenta Aguiar. Conforme o especialista, a aquisição dos papéis em poder dos preferencialistas e a finalização da reestruturação da Ripasa devem sair até o quarto trimestre. "As empresas somente convocarão as assembléias após a aprovação do acordo por parte da Justiça", explica. A chefe de análise da BES Securities, Mônica Araújo, também avalia como positiva, tanto para os minoritários quanto para VCP e Suzano, o acordo entre minoritários e a empresa. "O acordo já era esperado e o desembolso adicional não será tão significativo", comenta. Já o analista da Ágora Senior, Luiz Otávio Broad, aponta que o desfecho foi melhor para os preferencialistas. "Suzano e VCP não tinham outra alternativa e os minoritários levaram um prêmio", destaca. Top Pick O acordo levou o banco de investimentos Merrill Lynch a elevar as ações da companhia à condição de top pick do setor, posição ocupada por Aracruz desde janeiro de 2005. De acordo com os analistas Marcelo Aguiar e Marcos Assumpção, ela passa a ser o melhor papel do segmento já que "é negociada com o equivalente a 27% de desconto em relação à Aracruz". Eles consideram que o papel está abaixo do desconto justo, que seria de 10% a 20%. Desde 2005, a top pick de celulose e papel para o Merrill Lynch era a Aracruz. Também foram elevadas as estimativas de Ebitda (ganhos antes do pagamento de impostos, taxas, depreciação e amortização) para 2006 da VCP, de US$ 472 milhões para US$ 510 milhões, e 2007, de US$ 539 milhões para US$ 635 milhões. (Resumo de reportagens publicadas no AE Empresas e Setores, serviço de informações e análise de empresas, setores e ações da Agência Estado)

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