Acordo envolvendo o Irã faz petróleo recuar

Os preços dos contratos futuros de petróleo registram fortes quedas nas negociações em Londres, nesta segunda-feira, 25, após o acordo firmado entre Irã e potências mundiais sobre o programa nuclear iraniano.

Agencia Estado

25 de novembro de 2013 | 09h21

Às 9h04 (pelo horário de Brasília), o contrato de petróleo para janeiro na Nymex caía 1,39%, a US$ 93,52 por barril. Em Londres, o petróleo brent para janeiro tinha alta de 1,66%, a US$ 109,21 por barril na ICE. Na sexta-feira, 22, o contrato de petróleo tipo brent para janeiro alcançou o maior valor em dois meses diante de preocupações sobre as exportações da Líbia e com a expectativa pela continuidade do impasse nas negociações iranianas.

Em um acontecimento surpreendente, durante o fim de semana o Irã firmou um acordo com os EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Rússia e China no qual se comprometeu a não avançar com o programa nuclear. Em troca, parte das sanções econômicas contra Teerã serão afrouxadas por seis meses, até que se chegue a um acordo mais amplo. Autoridades norte-americanas projetaram que isso injetará entre US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões na economia iraniana.

Para a equipe do Commerzbank, os compradores asiáticos deverão ser os maiores beneficiados do acordo de seis meses. Com sanções mais frouxas, os embarques de petróleo do Irã para China, Índia, Coreia do Sul e Japão poderá aumentar, afirmou.

Mas apesar das reações dramáticas nos preços, alguns analistas alertaram para o fato de que há um longo caminho antes do petróleo iraniano ser reinserido no mercado. A equipe de análise da JBC Energy Markets disse que seria cautelosa em apostar em uma queda contínua nos preços dos contratos futuros "uma vez que o acordo deve ser visto mais como uma medida simbólica caminhando em direção a uma potencial solução de longo prazo em vez de uma correção de curto prazo no lado fundamentalista".

A equipe do Goldman Sachs afirma que o volume de petróleo bruto iraniano no mercado internacional permanecerá em grande parte inalterado pelos próximos seis meses, uma vez que o acordo prevê que as vendas de petróleo do Irã não poderão aumentar nesse período, conforme informado em comunicado da Casa Branca, no domingo, 24.

Já a equipe da PVM explicou em nota a clientes que há a possibilidade de mais petróleo iraniano vazar nos mercados via canais não oficiais. Para eles, os países que importam petróleo do Irã com aprovação dos EUA se sentirão menos pressionados a cumprir os limites de volume impostos.

Para o diretor de commodities no Saxo Bank, Ole Hansen, a reação dos preços do petróleo é justificada. "O fornecimento de curto prazo aumentará um pouco mas, mais importante, o acordo deverá reduzir algum prêmio de risco geopolítico que apoiou e que continuará apoiando os preços no curto prazo", afirmou.

O setor petroquímico também deve se beneficiar do alívio das sanções, uma vez que sanções diretas nesse setor estão sendo abandonadas. Fonte: Dow Jones Newswires.

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