Acordo salva hotel de luxo em Campos

O empreendimento foi idealizado em 2004 pelo empresário Ricardo Semler, dono do grupo Semco. A obra parou no caminho por desentendimentos entre os sócios

Marina Gazzoni,

29 de outubro de 2011 | 16h43

Um acordo envolvendo mais de 15 grandes empresários brasileiros e estrangeiros fez renascer o projeto do Botanique Hotel & Spa, em Campos do Jordão (SP). O empreendimento foi idealizado em 2004 pelo empresário Ricardo Semler, dono do grupo Semco, para ser um espaço de altíssimo luxo na região serrana de São Paulo. Mas a obra parou no caminho por desentendimentos entre os sócios.

A construção foi interrompida em 2007, depois de consumir R$ 30 milhões em investimentos, o triplo do valor previsto inicialmente. O impasse só chegou ao fim em setembro deste ano, quando dez sócios venderam suas cotas ao casal Ricardo e Fernanda Semler.

A primeira tentativa de negociar com os acionistas insatisfeitos foi do empresário americano David Cole, que detém uma cota do projeto em sociedade com o fundador da AOL, Steve Case. Ele procurou neste ano os acionistas do Botanique para propor a compra das ações dos sócios que quisessem sair do projeto.

Em seguida, Semler fez um acordo com os americanos, cobriu a proposta e comprou a maior parte das ações. Ele não divulgou o valor pago, mas os vendedores disseram que tiveram prejuízo. O deságio chegou a cerca de 80% do valor investido, afirmaram ao Estado três ex-sócios do Botanique, que preferiram não se identificar.

"Foi um mau negócio. Era para ser um hotel pequeno, para reunir amigos. Mas o projeto foi aumentando e o que seria um hobby custou muito caro e virou dor de cabeça", disse um deles. "Aceitei levar prejuízo porque não queria colocar mais dinheiro no projeto", afirmou outro ex-sócio.

No contrato de venda, há uma cláusula que determina o pagamento de um bônus aos antigos acionistas se os atuais controladores venderem o hotel nos próximos cinco anos. Entre os empresários que saíram da sociedade estão o dono do shopping Center Norte, Roberto Baumgart, o ex-banqueiro Jair Ribeiro, o advogado José Roberto Ópice, o chef Laurent Suaudeau e os sócios da Rio Bravo Investimentos Paulo Bilyk e Mario Fleck.

Na nova estrutura societária do Botanique, o casal Semler detém o controle do hotel, com 75% de participação. Antes, eles tinham apenas 14%. "O projeto só não deu certo na primeira tentativa única e exclusivamente pela quantidade de sócios. Era muita gente querendo coisas diferentes", diz Fernanda.

Nesse ponto, os ex-sócios concordam. "Era muito palpite. No fundo, ninguém é culpado por dar errado, mas, ao mesmo tempo, todos são", disse um deles.

O problema não deve se repetir, diz Fernanda. "Somos majoritários e temos carta branca dos sócios que ficaram para tomar decisões". Além dos americanos, ainda estão entre os minoritários o inglês Gordon Roddick, dono da rede Body Shop; Edgar Safdié, sócio da gestora de investimentos Latour Capital; e o investidor Miguel Ethel.

As obras no hotel Botanique recomeçaram há cerca de dez dias. Falta fazer o acabamento das instalações, a decoração e o paisagismo. O gasto para terminar o hotel é estimado em R$ 11 milhões - um montante que virá de recursos próprios.

A previsão é que o Botanique seja inaugurado no segundo semestre de 2012. A diária custará, pelo menos, R$ 2.500. Se todos os 16 quartos tiverem ocupação máxima, o empreendimento pode faturar R$ 14,6 milhões em um ano. A taxa de ocupação média esperada é de 60%, mas, segundo os proprietários, o hotel será rentável com apenas 20%.

(colaborou David Friedlander)

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