Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Admirada no mercado, Ultrapar surpreende e cai 13% na semana

Apenas no pregão seguinte à divulgação do balanço do primeiro trimestre do ano, o papel amargou perda de 10%

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 04h00

Conhecida pela excelência de execução da empresa, a ação da Ultrapar, que há anos marca presença nas carteiras de diversos fundos de investimentos, caiu 13% na semana. Apenas no pregão seguinte à divulgação do balanço do primeiro trimestre do ano, o papel amargou perda de 10%. Gestores admiradores da companhia questionaram o que teria acontecido com a dona dos postos Ipiranga.

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A coluna perguntou a analistas se a reação do mercado teria sido exagerada. A equipe do Santander disse acreditar que não. “Os resultados decepcionaram os investidores tanto em termos de Ebitda, que ficou 10% abaixo das nossas expectativas, como de lucro líquido, 36% abaixo dos nossos números. Além da divisão de distribuição de combustíveis (Ipiranga), que apresentou resultados mais fracos do que o usual, com queda de rentabilidade, as outras divisões da empresa também divulgaram números aquém do seu potencial, o que levantou uma bandeira amarela sobre a capacidade de crescimento de lucro da companhia”, responderam os analistas do Santander. 

Eles lembraram que a Ultrapar sempre negociou a múltiplos altos – acima de 20 vezes o preço/lucro, que indica quantos anos o investidor levaria para recuperar a aplicação, nos últimos cinco anos. Isso significa que o papel não estaria barato, de forma que viram com naturalidade o declínio. Para a Coinvalores, a queda da ação da Ultrapar refletiu o temor dos investidores com o desempenho da companhia no curto prazo, pois, além de os números do primeiro trimestre terem decepcionado, não houve indícios claros de que haverá uma recuperação nos próximos períodos. 

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O time da XP escreveu que o recuo ocorreu por causa das expectativas quanto ao desempenho futuro da companhia. “Apesar de ser uma empresa vista como possuidora de uma execução de primeira linha, líder no setor, há questões a respeito de concorrência e da recuperação de volumes”, disseram.

A Lerosa Investimentos concordou que a reação não foi exagerada, uma vez que, além do resultado abaixo do esperado, também foram anunciadas mudanças relevantes na diretoria que causaram insegurança – André Covre deixará o cargo de diretor superintendente da Extrafarma, bem como o presidente do conselho de administração, Paulo Cunha, apresentou carta de renúncia como membro do colegiado.

“Não acredito que o grupo deixou de ser queridinho pelo mercado, mas também deixou de ser uma aposta óbvia e certeira dentro do Ibovespa. A esperança para a companhia, como ressaltado na teleconferência com analistas, é de que este primeiro trimestre tenha sido um ponto fora da curva”, lembrou o analista da Lerosa, Vitor Suzaki. 

No setor de distribuição de combustíveis, Suzaki acredita que a BR Distribuidora, controlada pela Petrobrás, seja a empresa com maior potencial de valorização, considerando a expectativa de lucro maior e ganhos de margens.

A preferência da equipe do Santander também é BR Distribuidora, que reúne a melhor combinação de preço atraente, balanço saudável e bons dividendos, segundo eles.

Já a top pick no setor da Coinvalores é a Cosan, que deve apresentar bom resultado neste início de ano, com ganho de participação de mercado e melhora no mix de vendas. “Além disso, a aquisição a preço atrativo do negócio de distribuição de combustíveis – incluindo uma refinaria – na Argentina, anunciada recentemente, traz boas perspectivas de expansão no médio prazo”, acrescentaram os analistas da Coinvalores.

 

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