Ainda colado ao dólar, juro futuro cai em dia de Copom

Com a moeda dos EUA em baixa, as taxas também caíram, sobretudo de contratos longos

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

28 de agosto de 2013 | 16h52

Tal qual nos últimos dias as taxas futuras de juros operaram nesta quarta-feira, 28, em sintonia com o comportamento do dólar ante o real. Diante da desvalorização da moeda dos Estados Unidos, as taxas futuras de juros também caíram, sobretudo nos contratos mais longos. Apesar do movimento no pregão, continuaram iguais as apostas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina nesta noite, de alta de 0,50 ponto porcentual para a Selic, para 9% ao ano.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para janeiro de 2014 (360.695 contratos) marcava 9,17%, de 9,20% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2015 (479.310 contratos) indicava taxa de 10,18%, de 10,30% na véspera. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (227.445 contratos) apontava 11,41%, ante 11,53% na véspera. O DI para janeiro de 2021 (6.670 contratos) estava em 11,74%, de 11,83% no ajuste anterior.

"Além da queda do dólar, agora no fim da tarde, houve uma zerada de posições por parte dos investidores de day trade. Isso acabou aprofundando a queda das taxas de juros", explicou um operador. "De qualquer forma, os juros têm andado colados ao dólar. E como o Banco Central deve voltar a falar sobre a questão do câmbio na próxima ata, esse quadro deve se manter", continuou a fonte.

A moeda dos EUA no mercado à vista de balcão caiu 1,05%, encerrando a R$ 2,346. O movimento foi influenciado por uma série de fatores domésticos, como declarações da presidente Dilma Rousseff, intervenções contínuas do BC, bem como o arrefecimento, ainda que momentâneo, da preocupação com a possibilidade de invasão da Síria.

No exterior, a Síria voltou a ser assunto. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou que o grupo de inspetores da entidade que está na Síria para investigar o suposto uso de armas químicas precisa de quatro dias para concluir seu trabalho. Ao pedir ao dividido Conselho de Segurança do organismo para se unir e levar a paz ao país árabe, o secretário alimentou a cautela e amenizou a pressão no dólar.

Nos EUA, os juros dos Treasuries, títulos da dívida do Tesouro norte-americano, acentuaram a alta à tarde, após o leilão do Tesouro de T-notes de cinco anos atrair fraca demanda e pagar o maior yield (retorno ao investidor) desde maio de 2011. O juro do T-note de dez anos marcava 2,783% às 16h30 (horário de Brasília), de 2,717% no fim da tarde da véspera.

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