Airbus tem o terceiro presidente em três meses

O diretor-presidente da Airbus, Christian Streiff, pediu demissão ontem depois de pouco mais de três meses como chefe da atribulada fabricante de aviões. A EADS, principal acionista da Airbus, já nomeou um dos seus próprios diretores-presidentes, Louis Gallois, para substituí-lo.A partida de Streiff representa um novo golpe para uma Airbus em crise. A empresa, que deixou os investidores aturdidos em junho quando atrasou a entrega do superjumbo A380 em um ano, atrasou o prazo novamente este mês para dois anos e disse que os adiamentos representarão um prejuízo de ? 4,8 bilhões (US$ 6,1 bilhões) nos lucros da EADS no decorrer de quatro anos.Streiff assumiu o cargo de diretor-presidente da Airbus no lugar de Gustav Humbert, que caiu, juntamente com o co-diretor-presidente da EADS, Noel Forgeard, como resultado da crise na produção do A380.Streiff, ex-executivo da Saint-Gobain, elaborou um plano de recuperação com corte de custos para a Airbus que desfrutou de forte apoio dos diretores da EADS. Mas ele entrou em conflito repetidas vezes com o conselho sobre a forma como o plano devia ser implantado e sobre o grau de controle que exerceria pessoalmente, segundo funcionários a par das discussões.O executivo queria se reportar à EADS trimestralmente e ter a palavra final na nomeação de cargos na Airbus, enquanto os executivos da EADS exigiram uma supervisão mais próxima. Numa entrevista publicada pelo jornal francês Le Fitar, Streiff disse que não lhe foram concedidos os "necessários poderes operacionais" para exercer seu cargo eficazmente e considerou um "passo na direção certa" a combinação de papéis de Gallois na Airbus e na EADS.A EADS é dona de 80% da Airbus e está apertando sua supervisão da unidade de jatos civis, no momento em que adquire os restantes 20% da empresa britânica BAE Systems PLC.Streiff abalou o delicado equilíbrio político que sustenta a EADS e enervou os políticos alemães e os sindicatos ao sugerir que a fabricação do A380 podia ser transferida da Alemanha para a França, e que o A350 XWB - rival do Boeing 787 - podia também ser construído na França. "Temos que impedir que tudo seja feito como os franceses querem", disse o ministro da Defesa da Alemanha, Franz Josef Jung.Depois de concentrar maciços recursos no superjumbo, a Airbus foi surpreendida pelo bimotor 787 da Boeing, mais econômico que os antigos jatos quadrimotores da Airbus na mesma categoria . Com isso, a Boeing acabou retomando a liderança mundial no mercado de aviões. No ano, a Boeing ostenta encomendas de 723 aviões, enquanto a Airbus tem apenas 226. As informações são da Associated Press.

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