Ajuste de apostas pós-Copom embute prêmios nos juros

O mercado de juros futuros se dividiu hoje entre correções técnicas, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a Selic em 0,5 ponto porcentual, e a repercussão sobre a piora do quadro externo. Prevaleceu, no entanto, o viés de alta ao longo de toda a curva a termo, com zeragem de posições daqueles investidores que fizeram, ao mesmo tempo, hedge e aposta para um Copom mais agressivo. Como a surpresa não veio, houve uma natural recomposição de prêmios nos vértices longos. Além disso, o curto comunicado após o encontro de ontem continuou alimentando dúvidas sobre o tamanho do ciclo de afrouxamento monetário e abriu espaço para novas apostas nos vencimentos entre janeiro de 2012 e de 2013.

MÁRCIO RODRIGUES, Agencia Estado

20 de outubro de 2011 | 16h52

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (825.995 contratos) estava em 11,144%, de 11,12% no ajuste, e o DI julho de 2012, com giro relativamente alto para tal vencimento, de 165.735 contratos, passava de 10,55% para 10,60%. O DI janeiro de 2013, com 581.645 contratos, avançava a 10,50%, de 10,44% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2014 (168.935 contratos) subia a 10,75%, de 10,67%. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (57.115 contratos) apontava 11,27%, de 11,13%, e o DI janeiro de 2021 (8.550 contratos) indicava 11,29%, de 11,14% no ajuste.

E, realmente, o fator técnico predominou sobre o mercado de juros, uma vez que os indicadores de inflação conhecidos hoje e o quadro externo cheio de especulações poderiam sugerir alguma devolução de prêmios. O IPCA-15 conhecido logo no começo do dia desacelerou para 0,42% em outubro, ante avanço de 0,53% em setembro e abaixo da mediana das expectativas do AE Projeções, de 0,45%. Além disso, no intervalo de 12 meses arrefeceu de 7,33% até setembro para 7,12% na medição até outubro, também abaixo da mediana das estimativas colhidas pelo AE Projeções, que era de 7,15%.

Também hoje, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou desaceleração na segunda prévia do IGP-M, que passou de 0,52% em setembro para 0,50% em outubro. O indicador foi favorecido, sobretudo, pela deflação dos alimentos no varejo (-0,18%).

Lá fora, as bolsas e as commodities operaram em queda, em dia de novas especulações sobre a crise europeia. Um jornal alemão citando fontes informou que haveria a hipótese de se adiar a reunião de cúpula da União Europeia, marcada para o próximo domingo. Autoridades do bloco negaram rapidamente tal informação. Mas como nada de novo veio a público, a negativa adiantou pouco. Além disso, o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, disse que existem sérias dúvidas sobre se qualquer decisão será tomada no encontro deste domingo.

Quanto à Grécia, a troica divulgou hoje um relatório prévio no qual recomenda que a próxima tranche de socorro ao país seja liberada o mais breve possível. Porém, o grupo de credores ressalta que a sustentabilidade da dívida do governo grego se deteriorou nos últimos meses, continua "extremamente preocupante" e que as atuais dinâmicas não são sustentáveis. Há pouco, o Parlamento grego aprovou novo pacote de austeridade em votação final.

Tudo o que sabemos sobre:
juros futuroscopom

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.