Ajuste fiscal não afeta microcrédito, garante Banco do Nordeste

Presidente do BNB, Nelson Antônio de Souza, diz que instituição vai continuar ampliando empréstimos subsidiados em um mercado onde já tem 2,7 milhões de clientes e R$ 11 bilhões emprestados nos últimos dois anos

O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 12h42

O ajuste fiscal não vai abalar a política de expansão do microcrédito do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), maior banco de fomento ao desenvolvimento regional da América do Sul.

O presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, garante que a instituição vai continuar expandindo a oferta de crédito para pequenos empreendedores em sua maioria informais de áreas urbanas e rurais, em um mercado onde já tem 2,7 milhões de clientes.

Segundo ele, o banco já iniciou o seu próprio ajuste fiscal há dois anos, após ter sido profissionalizado em 2012. Ex-diretor da Caixa Econômica Federal, Nelson de Souza comandou um processo de cobrança dos grandes devedores nos últimos dois anos, quando o banco conseguiu recuperar quase R$ 5 bilhões de empréstimos atrasados.

Graças a esse esforço, o banco obteve no balanço do ano passado os melhores resultados operacionais desde a sua criação, em 1952. O lucro líquido aumentou 107% em 2014, chegando a R$ 747,4 milhões. O resultado operacional cresceu 105%, chegando a R$ 1,13 bilhão.

O volume de contratações de empréstimos e financiamentos chegou a R$ 25,3 bilhões, com 4,7 milhões de operações. Com apenas 7,2% da rede bancária na Região, o Banco do Nordeste responde por 55,5% dos financiamentos de longo prazo e por 55,7% do crédito rural nordestino. Os empréstimos são subsidiados para os clientes da área rural.

O banco trabalha atualmente com base em estudos sobre o desenvolvimento do Nordeste desenvolvido em parceria com o com o Instituto Interamericano de Cooperação em Agricultura (IICA).

A pesquisa revela tendências na economia regional, tais como o crescimento do setor terciário e a importância das pequenas empresas e a transformação da base produtiva do semiárido. Também ressalta a relevância da interiorização do ensino superior e o fortalecimento das cidades de médio porte em todo o Nordeste.

Os programas de microcrédito produtivo e orientado são o Crediamigo e Agroamigo, considerados estratégicos como instrumentos de desenvolvimento regional com forte impacto social, tiveram mais de R$ 11 bilhões contratados nos últimos dois anos.

Os dois programas fazem parte do Plano Brasil Sem Miséria, do governo federal, e voltados para elevação da renda e das condições de bem-estar da população nordestina. Quase metade dos clientes do Crediamigo (46%) são beneficiários do Bolsa Família.

O banco também dá prioridade para o crédito aos micro e pequenos empresários. Foram R$ 15,3 bilhões contratados somente para os empreendimentos considerados de pequeno porte em 2014.

De 2012 a 2014, o banco expandiu sua rede de atendimento com mais 103 agências em todos os estados nordestinos além do norte de Minas Gerais e Espírito Santo.

Na área de produtos e serviços bancários, o Banco lançou, em 2014, cartões de débito e de crédito com bandeiras internacionais. Cerca de 35% das transações dos clientes do banco são realizadas por meio da internet e redes móveis.

A marca Banco do Nordeste valorizou-se 16% no último ano, alcançando o valor de US$ 338 milhões, segundo a consultoria britânica Brand Finance, em parceria com a revista The Banker. Com isso a marca subiu 21 posições no ranking dos 500 bancos mais valiosos do mundo em 2014.

 

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