Alemanha limitará venda a descoberto de ações e CDS a partir de quarta-feira

Decisão ocorre em meio à pressão da centro-direita para que o setor financeiro ajude a cobrir os gastos relacionados à crise

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

18 de maio de 2010 | 17h24

A Alemanha vai proibir a prática do "naked short selling" com as ações de 10 das principais instituições financeiras da Alemanha e os credit default swaps (CDS) de bônus soberanos da zona do euro a partir da meia-noite de quarta-feira, de acordo com a porta-voz do Ministério de Finanças do país, Jeanette Schwamberger. Ela acrescentou que o governo preparará um projeto de lei a respeito do assunto.

O "naked short selling" ocorre quando um participante do mercado vende a descoberto um ativo financeiro sem antes ter tomado emprestado esse ativo ou sem ter garantias de que poderia realizar tal empréstimo. Muitos governos da zona do euro disseram que esse tipo de transação com os CDS - um tipo de seguro contra defaults - inflou artificialmente os custos de financiamento da Grécia.

Schwamberger disse que estão sendo planejadas mais proibições à prática de "naked short selling" além das que devem entrar em vigor a partir de meia-noite. Elas incluem a proibição desse tipo de negociação com todas as ações da Alemanha, com derivativos de ações, derivativos relacionados a bônus da zona do euro e também com derivativos ligados ao euro que "não desempenhem um papel de proteção contra riscos no mercado cambial".

Mais cedo, o parlamentar Norbert Barthle, da União Democrata Cristã - partido da chanceler alemã Angela Merkel -, havia dito que o governo baniria a prática de "naked short selling" e que Merkel anunciaria o plano durante um discurso à câmara baixa do parlamento amanhã.

A decisão do governo ocorre em meio à crescente pressão por parte dos partidos da coalizão de centro-direita para que o setor financeiro ajude a cobrir os gastos relacionados à crise financeira. Eles defendem a introdução de um imposto sobre as transações ou atividades financeiras se a câmara baixa do parlamento alemão aprovar a participação da Alemanha num plano de quase US$ 1 trilhão contra crises sistêmicas na zona do euro.

O imposto não anularia a tarifa sobre os bancos que a Alemanha pretende implementar, segundo autoridades desses partidos. A câmara baixa do parlamento do país deve votar na sexta-feira sobre a contribuição de € 147,6 bilhões que os alemães farão para o plano contra crises sistêmicas. As informações são da Dow Jones.

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