Aloísio Vasconcelos deixa presidência da Eletrobrás

Enfraquecido na cúpula do governo, depois de acumular divergências com diretores da companhia, o presidente da Eletrobrás, Aloísio Vasconcelos, deixou o cargo. A informação foi confirmada ontem ao jornal O Estado de S.Paulo por mais de uma fonte ligada à empresa. A presidência da estatal será ocupada interinamente pelo diretor de Engenharia, Valter Luiz Cardeal, que acumulará as duas funções.Cardeal é tido como homem de confiança do PT e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas, segundo fontes, assume o comando da empresa temporariamente e por força do estatuto da companhia. As mesmas fontes garantem que Cardeal deverá ficar no cargo somente até que o PMDB - partido que tem o controle político da estatal e do Ministério de Minas e Energia - indique outro nome para a vaga.Dentro da Eletrobrás, a saída de Vasconcelos já era dada como certa desde a sexta-feira, quando o executivo teria se despedido pessoalmente de alguns funcionários. Vasconcelos havia apresentado seu pedido de demissão ao conselho da Eletrobrás em dezembro, alegando motivos pessoais. O pedido foi aceito e ele já virou o ano afastado do comando da empresa.Os rumores sobre a saída de Vasconcelos começaram a se acentuar nas últimas semanas, por causa de divergências com Cardeal e outros diretores da empresa. Vasconcelos vinha tendo fortes divergências com o diretor-financeiro da Eletrobrás, José Drummond Saraiva, em torno, principalmente, dos planos do governo para reestruturar e aumentar a capacidade de investimentos da empresa. Vasconcelos anunciou, em entrevista, que estava em estudos a incorporação das subsidiárias Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul à holding. A informação porém, foi retificada em nota encaminhada ao mercado por Saraiva.Vasconcelos assumiu a presidência da Eletrobrás em julho de 2005, substituindo Silas Rondeau, que assumiu o Ministério de Minas e Energia. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, ele foi duas vezes deputado federal e diretor da Cemig.Também engenheiro, Cardeal já atuou como diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE). Trabalhou ainda no extinto Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE).

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