Alta de juro na China pressiona bolsas, dólar e metais

O anúncio de aperto monetário na China pesou sobre o dólar e sobre as bolsas no exterior, assim como nos metais. A reação negativa era atribuída à perspectiva de retração no crescimento chinês, principal objetivo do banco central chinês (Banco Popular da China) com a medida. A taxa básica para empréstimo de um ano em yuan foi elevada em 0,27 ponto percentual, para 5,85%. O aumento entra em vigor amanhã. "Agora a maior parte do mundo está em processo de aperto monetário", disse John Haynes, estrategista de ações do Rensburg Sheppards Plc, em Londres, ao website aberto da Bloomberg. "Taxas de juro mais elevadas não são positivas para as ações", acrescentou. Às 8h09 (de Brasília), os futuros Nasdaq-100 caía 0,45% o S&P 500 recuava 0,42%, em Nova York. Em Londres, o índice FT-100 caía 1,13%, em Paris, o índice CAC-40 recuava 1,54%; e em Frankfurt, o índice Xetra-DAX perdia 1,27%. As ações de mineradoras e de companhias de petróleo eram as mais atingidas pela notícia. As ações da Rio Tinto cederam mais de 4% e as da Anglo American recuaram 4,6%. O dólar caía para 114,55 ienes, de 114,83 ienes no fechamento. A moeda chegou a 114,21 ienes na mínima. Chen Xingdong, economista-chefe do BNP Paribas afirmou à agência Dow Jones que a alta no juro promovida nesta quinta-feira pelo BC chinês é o primeiro passo de um ciclo de aperto monetário. Segundo ele, a elevação de 0,27 ponto percentual é muito pequena para ter efeito na economia. De acordo com o especialista, os bancos têm capacidade para ajustar as taxas de empréstimo para baixo e muitas empresas estão captando recursos no mercado de capitais, emitindo títulos de curto prazo. Analistas do HSBC afirmam que, tendo em vista que apertos monetários realizados no passado não produziram resultados positivos, pode haver pressão maior para apreciação do yuan. Segundo eles, esta análise teria motivado os investidores de câmbio a adquirir ienes contra dólares. Traders diziam que a decisão chinesa de elevar o juro busca acalmar o G-7, que no comunicado da reunião do último final de semana ressaltou a importância de a China ajustar sua moeda.

Agencia Estado,

27 Abril 2006 | 08h35

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