Alta de juros trará mais apreciação do real no curto prazo

Sérgio Vale, da MB, disse que o limite para queda da moeda será dado pelo déficit em conta corrente

Luciana Xavier e Célia Froufe, da Agência Estado,

18 de abril de 2008 | 16h12

O ciclo de aperto monetário trará mais apreciação do real no curto prazo, segundo o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Ele disse que o limite para a queda da moeda será dado pelo déficit em conta corrente. "É difícil que o dólar fique abaixo de R$ 1,60 ou perto de R$ 1,50. A tendência é que ele fique entre R$ 1,60 e R$ 1,70 nos próximos meses por causa dos juros mais altos", comentou. Ouça a entrevista com Sérgio Vale Ele estima que o déficit em conta corrente será de US$ 19 bilhões este ano e US$ 22 bilhões "ou pior" em 2009. A aposta para Selic é de mais duas altas de 0,50 ponto porcentual, encerrando o ano em 12,75%, e dólar fechando 2008 em R$ 1,75 com a perspectiva de deterioração do déficit em conta corrente. Vale não espera bons números da balança comercial. Este ano, segundo ele, o superávit da balança poderá ser de US$ 18,5 bilhões. Para 2009, o superávit deve cair para algo como US$ 9 bilhões ou US$ 10 bilhões. Ele não descarta déficit da balança em 2010, mas ressalta que o cenário básico ainda não é esse. "A valorização cambial é mais lenha nessa fogueira", acrescentou. Para Vale, o real deve continuar liderando a lista das moedas que mais têm valorizado em relação ao dólar. Nos últimos 12 meses, o dólar perdeu 18,61% ante o real, enquanto a queda ante o peso colombiano foi de 16,35%, ante o sol peruano foi de 14,61% e ante o euro, queda de 10,82%. "O Brasil é a estrela da vez entre os emergentes", salientou. Vale acredita que o grau de investimento do Brasil pode ser "antecipado" por uma das agências de classificação de risco para este ano, após as eleições municipais no segundo semestre. "Mas o mais concreto é esperar que chegue no primeiro semestre de 2009", afirmou. Ele ressaltou que o cenário fiscal, mesmo com a perda da receita da CPMF, sinaliza que a economia brasileira está "mais robusta".  Segundo ele, o upgrade do Brasil deverá atrair "uma enxurrada de dólares". "E não há muito o que o governo possa fazer".InflaçãoVale espera que a inflação este ano fique em 4,6%, mas mantém o viés de alta por causa dos alimentos. Segundo ele, no entanto, a inflação não está fora de controle. "Não há motivo para pânico, há motivo para preocupação", disse. "Não dá para esperar a inflação fugindo muito do centro da meta", acrescentou. "Os alimentos estão na corda bamba para ajudar ou atrapalhar a inflação. Acho que vão atrapalhar. Mas não vai ser como no ano passado, com alimentos subindo mais de 10%. Acho que este ano a alta pode ser de 5%", afirmou. Vale citou dois produtos que são fato de pressão nos preços de alimentos: arroz e trigo. "Talvez o arroz seja (para inflação deste ano) o que o feijão foi no ano passado", avaliou.

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