Alta do desemprego no Reino Unido faz bolsas caírem

As bolsas da Europa fecharam com fortes quedas nesta quarta-feira, recuando pela quarta sessão consecutiva. O aumento do desemprego no Reino Unido e a forte queda nas vendas de automóveis na Europa pressionaram os índices, que ainda reagem à piora das previsões para a região anunciadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, comentários do presidente do Banco Central da Alemanha (Bundesbank), Jens Weidmann, de que a recuperação da zona do euro ainda deve demorar, acentuaram a queda das bolsas no fim da manhã. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia em queda de 1,54%, aos 283,73 pontos.

EQUIPE AE, Agencia Estado

17 de abril de 2013 | 13h33

A Associação de Montadoras Europeias anunciou nesta quarta-feira que as vendas na região despencaram 10,2% em março na comparação com igual mês de 2012. Esse recuo do mercado não é responsabilidade dos países periféricos. No mês, a Alemanha liderou a queda das vendas: o mercado alemão encolheu 17,1% na comparação anual. Outra grande economia da zona do euro, a França, amargou queda de 16,2%. Entre os demais países, Espanha registrou recuo de 13,9% e a Itália teve queda de 4,9%.

Além disso, foi divulgada nesta quarta-feira a ata da reunião do início do mês do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). O documento mostra que o comitê permaneceu dividido e 3 votos foram a favor do aumento do programa de injeção de liquidez na economia em 25 bilhões de libras. Entre os que apoiam o aumento da compra de ativos no mercado para tentar ajudar no crescimento da atividade, está o presidente do BC inglês, Mervyn King. Todos os nove votos do Comitê optaram por manter o juro britânico no piso histórico de 0,5% ao ano.

Também do Reino Unido, vieram dados que desagradaram aos investidores. Num duplo golpe para os planos do governo do país de manter as duras medidas de austeridade, os dados mostraram que o emprego diminuiu no país pela primeira vez em mais de um ano e que o crescimento dos ganhos médios foi o menor já registrado.

Antes disso, as bolsas já operavam em queda, ainda repercutindo a previsão do FMI de que a Europa não sairá da recessão em 2013. Pelas novas estimativas da instituição, a economia da zona do euro deve ter contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,3% neste ano. Antes, o FMI previa queda de 0,1%.

No fim da manhã, as quedas acentuaram-se após o presidente do Bundesbank afirmar que a crise de dívida da Europa levará cerca de uma década para ser superada, rejeitando a visão mostrada, recentemente, por alguns líderes europeus de que o pior passou. Nesse cenário, o índice DAX da Bolsa de Frankfurt caiu 2,34% e fechou a 7.503,03 pontos. De acordo com traders, o fato de o índice ter perdido mais que os outros indica maiores quedas no futuro. As ações da Infineon recuaram 4,8% e as da HeidelbergCement tiveram queda de 3,9%.

Na Bolsa de Londres, o índice FTSE perdeu 0,96%, encerrando o dia a 6.244,21 pontos. Novamente, as mineradoras lideraram as perdas, pressionadas por preocupações com a economia global. A Tullow Oil teve queda de 8,4% e a Tesco após resultados que desagradaram aos investidores.

Em Paris, o índice CAC-40 recuou 2,35% e fechou a 3.599,23 pontos. As ações dos bancos recuaram, com BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole caindo 4,6%, 3,8% e 3,1%, respectivamente. A EADS contrariou a tendência, subindo 4,9%. Já a Bolsa de Lisboa caiu 1,77% e fechou a 5.700,96 pontos. A Bolsa de Madri teve queda de 1,83%, a 7.803,00 pontos. O índice FTSE-Mib da Bolsa de Milão perdeu 0,96% e fechou a sessão a 15.383,76 pontos. As informações são da Dow Jones.

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