Alta do dólar é a tônica do dia

A expectativa pelo leilão na Espanha amanhã, visto como um teste sobre o nível de confiança no país, eleva o dólar em relação a outras moedas

Nalu Fernandes, Agencia Estado

18 de abril de 2012 | 10h37

Os mercados europeus refletem o sentimento dos investidores nesta quarta-feira, diante da ansiedade com o leilão de títulos de longo prazo da Espanha amanhã, que é visto como um teste sobre o nível de confiança do mercado quanto ao país. Em reação, o dólar mostra avanço ante grande número de seus pares. No mercado doméstico, o dólar abriu em alta de 0,43%, a R$ 1,8620. Permanece a percepção de que a moeda norte-americana tem espaço limitado para cair, diante das compras à vista pelo Banco Central e da continuidade da arbitragem (DI/câmbio) pelos investidores com a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a porta aberta para mais um corte residual da Selic em maio, na sequência do corte do juro básico esperado para hoje.

Nesta terça-feira, o dólar no balcão fechou na máxima do dia, com alta de 0,71%, a R$ 1,8540, no maior valor desde 2 de janeiro deste ano. Ao longo do dia, o avanço foi sustentado, em grande medida, pela arbitragem - com recuo das taxas projetadas nos DIs curtos e avanço do dólar à vista - em antecipação à reunião do Copom (com foco no comunicado da autoridade monetária), em face da percepção de que, depois de um corte esperado em 0,75 ponto porcentual hoje, a porta continuaria aberta para uma redução residual da Selic, em 0,25pp, em maio.

Ainda assim, o BC manteve o ritmo recente de dois leilões de compra de dólar à vista. As taxas de corte foram R$ 1,8448, no início da tarde, e R$ 1,8520, mais ao fim da tarde, em níveis superiores à cotação do dólar no balcão nos horários das atuações. O ritmo dos leilões e as taxas de corte têm deixado claro que o espaço para queda do dólar é reduzido no mercado doméstico.

Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Reino Unido deve voltar a ocupar a posição de sexta maior economia do mundo neste ano. O Fundo atribui o provável retorno do Brasil à sétima posição à expectativa de maior desvalorização do real ante o dólar.

Na zona do euro, a conta corrente migrou de superávit para déficit de 1,3 bilhão de euros em fevereiro. A confiança dos investidores já começa a ser testada com a proximidade do leilão espanhol de títulos do governo de dois e 10 anos, que devem fornecer uma medida mais adequada sobre o sentimento que prevalece no mercado em relação ao país.

Ainda na região, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que o euro está muito caro ante o dólar e que a questão precisa ser discutida com o presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Na China, a média dos preços das propriedades de imóveis em 70 cidades caiu em março ante mesmo mês do ano passado, alimentando expectativa de medidas adicionais de relaxamento no país.

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