Alta do IGP-10 tem lado ruim, mas mostra retomada, avalia LCA

Economista Fábio Romão ressalta que os preços administrados "vão acabar colaborando" com a atividade

Luciana Xavier e Lucinda Pinto, da Agência Estado,

22 de setembro de 2009 | 15h52

A alta do IGP-10 em setembro "deixa claro que a deflação de nove meses no atacado ficou para trás", o que não é de todo negativo, avaliou há pouco o economista LCA Consultores Fabio Romão. Segundo ele, o dado tem um lado ruim, mas também mostra que a economia brasileira está mesmo em recuperação. "Não acredito que teremos aceleração intensa (dos preços no atacado) como tivemos em 2007 e meados de 2008", ponderou Romão, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

 

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O IGP-10 subiu 0,35% em setembro, após cair 0,60% em agosto. O resultado ficou dentro das estimativas das previsões dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam um aumento entre 0,22% e 0,42%.

 

Ele acredita que o IPCA-15, que será divulgado na próxima semana, deverá mostrar alta de 0,24%, puxada principalmente por bebidas e alimentos, que representam 22,9% do índice. Romão avalia, no entanto, que o cenário de inflação para este ano e para 2010 é benigno. A projeção da LCA é de alta de 4,4% para o IPCA este ano e de 4,3% para o ano que vem. Ele ressaltou que, embora espere maior impulso da atividade nos próximos meses, os preços administrados "vão acabar colaborando".

 

Além disso, afirmou, os incentivos fiscais dados pelo governo este ano acabaram "antecipando o consumo" "O movimento de recuperação de preços em 2010 será cauteloso. A inflação ainda vai estar sob controle e o crescimento será saudável". Para ele, será possível o País crescer 5,2% em 2010 e ainda cumprir a meta de inflação de 4,5%. Para este ano, a estimativa de expansão do PIB está em +0,5%.

 

Política Monetária

 

Para o economista da LCA Consultores, com a expectativa de inflação sob controle ao longo de 2010 é provável que o Banco Central resolva manter a Selic em 8,75% até 2011. Romão admite, no entanto, que uma deterioração das contas fiscais pode acabar levando o BC a aumentar a atenção em relação à inflação e subir os juros no 2º semestre. "Há a preocupação com o lado fiscal e isso pode fazer o BC ter uma atitude mais conservadora, elevando os juros. Qualquer ação do BC daqui para frente terá 2011 como alvo", explicou.

 

Outro risco a ser observado, além do fiscal, será o externo. "As grandes economias ainda estão lambendo as feridas. A economia americana dá sinais de que o fundo do poço ficou para trás, mas serão necessários mais alguns meses para confirmar isso. Já o Brasil está um passo adiante", disse. Ele afirmou que o risco de um duplo mergulho dos Estados Unidos na recessão existe, mas não é preponderante, representando ao redor de 25%, de acordo com o cenário da LCA.

 

Romão mencionou ainda os dados "surpreendentes" do Caged, divulgados esta semana. Na avaliação do economista, a ociosidade na indústria ou o hiato do produto pode acabar se estreitando mais rápido do que o esperado. "Há sinais de retomada da produção industrial e a indústria voltou a contratar com força", disse.

 

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto registrou a criação de 242.126 empregos formais, o que representa um crescimento de 0,75% em relação ao estoque de empregos de julho. Em julho, foram criados 138.402 empregos. De janeiro a agosto, foram criados 680.034 postos de trabalho.

 

Romão acredita que este ano serão criados ao redor de 800 mil postos de trabalho formal e a taxa de desemprego deve ficar em 8,2%, o que segundo ele, "é bom", levando-se em conta a realidade de outras economias mundiais.

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