Americanos chegam para negociar compra da Varig

Os donos do fundo Matlin Patterson, sócios norte-americanos da Volo do Brasil, chegam esta semana ao Rio para negociar a aquisição da Varig, enquanto o juiz da 8ª Vara empresarial, Luiz Roberto Ayoub, decide nos próximos dias se convoca novo leilão ou uma assembléia de credores para avaliar a proposta. A decretação da falência não está descartada. A decisão de Ayoub depende de um parecer do administrador judicial, a Deloitte, aguardado para hoje.A concretização da proposta de aquisição da Varig, por US$ 485 milhões, estava condicionada à aprovação, pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da compra da VarigLog pela Volo. Depois de quase seis meses de análise, a Anac aprovou a operação na sexta-feira.A Volo é uma sociedade formada pelo fundo Matlin (via Volo Logistics) e três sócios brasileiros. Segundo um executivo próximo à negociação, a Volo/VarigLog pretende entrar com cautela na Varig, pois está consciente de que a decisão da Anac poderá ser contestada. "Há uma dura batalha pela frente ainda", diz o executivo.O Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), contrário à venda da VarigLog por acreditar que a presença do Matlin fere a lei que limita a 20% a participação estrangeira em empresas aéreas, deve entrar na Justiça ainda esta semana contra a decisão da Anac.A disputa deve ganhar contornos políticos. Senadores de oposição pretendem convocar, para maiores explicações, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o diretor-geral da Anac, Milton Zuanazzi, o diretor do Snea, Anchieta Hélcias, e representantes da Volo.A confirmação da VarigLog como potencial investidora na Varig abre espaço para uma injeção de recursos de curto prazo, em valores que poderão variar de US$ 20 milhões a US$ 35 milhões. Desse montante, aproximadamente dois terços seguiriam para recuperação de parte dos 16 aviões que estão parados para manutenção. O fundo Matlin também conversa com empresas de leasing e terá de colocar em dia os aluguéis para garantir a reincorporação de parte dos mais de 20 aviões parados por decisão judicial.A situação da Varig hoje é bem mais crítica do que em agosto de 2005, quando o Matlin manifestou interesse pela companhia. Na época, o chinês Lap Chan, um dos sócios do Matlin, previa um prazo de cinco a sete anos para recuperar a Varig. "A situação se deteriorou bastante, mas a marca ainda é muito forte", avalia o executivo.Em entrevista na sexta-feira, o presidente da Varig, Marcelo Bottini, afirmou que a companhia fará contato com o juiz da Corte de Falências de Nova York, Robert Drain, "para dar um posicionamento dessa nova negociação". A expectativa das empresas de leasing é de que o juiz deverá prorrogar novamente, em audiência na quarta-feira, a liminar que protege a Varig do arresto de aviões.Vôos de LondresA Varig retomou os vôos de Londres ontem, após suspender temporariamente a maior parte dos vôos internacionais na semana passada. Ontem, passageiros continuavam enfrentando espera e incerteza nos aeroportos. Para a Europa, foram mantidos dois vôos diários para Frankfurt. Para os EUA, a empresa fará vôos em dias alternados para Miami e Nova York.Nos destinos cancelados, como Milão, os passageiros são enviados para Frankfurt, em vôos da Star Aliance, e de lá para o Brasil. Da França, os brasileiros voltam via TAM. De Madri, pela Ibéria. O plano de emergência adotado na quarta-feira terminou sábado, mas fiscais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) continuam de plantão nos aeroportos do Galeão (Rio) e Guarulhos (São Paulo). O telefone para informações sobre os vôos da Varig é o 4003-7000.

Agencia Estado,

26 de junho de 2006 | 08h40

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