Análise: Queda na produção de aço não mostra tendência

A queda de 9,5% registrada na produção brasileira de aço no primeiro trimestre de 2006, na comparação com o mesmo período do ano passado, não deve ser interpretada como uma tendência ruim para o segmento. A valiação é do analista do setor de siderurgia da corretora do banco ABN Amro, Pedro Galdi. Ele lembra que no ano passado explica que a comparação está sendo feita sobre um período muito forte, quando as siderúrgicas verificaram preços e demanda muito favoráveis. O analista afirma que a parada de produção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em janeiro, por conta de um acidente com um dos altos-fornos da empresa, também prejudicou o desempenho do setor nos primeiros três meses de 2006. "É importante verificar que a produção brasileira de aço em março cresceu em relação a fevereiro, uma tendência que deve se manter ao longo do ano, já que a expectativa é de um cenário favorável para esse mercado em 2006", destaca. Segundo Galdi, a demanda por produtos siderúrgicos neste ano deve aumentar por conta do crescimento expressivo do setor automotivo, que já vem sendo observado, além da expectativa de melhora do setor de bens de consumo. "Os investimentos do setor industrial estão aumentando, uma demonstração clara de que as empresas se preparam para o crescimento da economia esperado para este ano", diz. Em março, as siderúrgicas brasileiras produziram 2,479 milhões de toneladas de aço bruto, com queda de 10,2% sobre o mesmo mês de 2005. Na comparação com fevereiro deste ano, no entanto, houve um crescimento de 14%. No acumulado do ano, a produção brasileira atingiu 7,186 milhões de toneladas, com queda de 9,5%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Internacional de Ferro e Aço (IISI, na sigla em inglês), que acompanha a produção siderúrgica em 61 países.

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