Analistas criticam mudança na TR que remunera a poupança

A maior atratividade dos rendimentos da poupança em relação aos fundos de investimentos poderia ter sido resolvida pelos próprios bancos, por meio da redução da taxa de administração cobrada nessas aplicações. Hoje, a taxa de administração dos fundos é de até 5%. Essa é a avaliação de especialistas ouvidos pelo Estado. Na segunda-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu novas regras para o cálculo da taxa referencial (TR), que remunera a poupança. A intenção foi reduzir o rendimento da aplicação a partir do momento que a taxa básica de juros, a Selic, recuar para 12% ao ano. "A decisão do CMN favoreceu os bancos", diz a economista da Pro Teste, associação de defesa do consumidor, Hessia Costilla. Na prática, afirma ela, o governo deveria ter deixado o mercado se adaptar à realidade de juros cadentes. Isso forçaria a queda nas taxas de administração dos fundos. "O investimento tem de ser atrativo por si só. Não é preciso retirar a rentabilidade de outras aplicações." Essa avaliação é compartilhada pelo vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira. "Se os bancos reduzissem as taxas de administração, os fundos ficariam mais competitivos." Ele argumenta que os fundos com taxas de administração na faixa de 2,5% conseguem competir com a poupança. Pelas novas regras, uma poupança de R$ 1 mil por 12 meses terá saldo 0,71% menor que o obtido atualmente. Já uma aplicação de R$ 1 mil em fundos de renda fixa por 12 meses, descontados o Imposto de Renda e taxas de administração, terá saldo 4,5% maior que o obtido pelas novas regras da poupança. Ribeiro de Oliveira critica o fato de o governo ter alterado as regras de cálculo da TR quando a poupança ficou atraente. Na análise do vice-presidente da Anefac, a redução no rendimento da poupança pode afetar os recursos para financiar a casa própria, já que os bancos são obrigados a aplicar 65% da poupança na habitação. Foi exatamente esse setor um dos eleitos pelo governo para acelerar o ritmo de crescimento do País. Questionado sobre a pressão exercida pelos bancos para mudar as regras da poupança, o representante da Febraban para área de Crédito Imobiliário, Osmar Roncolato, diz que o setor apenas encaminhou ao governo um estudo apontando essa necessidade.

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