Analistas estão otimistas com Vale apesar de geração de caixa reduzida

Expectativa é de que preço do minério tenha alta de 30% a 35% neste ano e de que a empresa tenha ganhos de escala a partir do segundo trimestre

Chiara Quintão, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 18h00

Apesar de a geração de caixa, medida pelo Ebitda, da Vale ter ficado abaixo das expectativas dos analistas, o mercado está otimista em relação à companhia em 2010, principalmente em razão das perspectivas de aumento do volume vendido e da alta dos preços do minério de ferro. "A demanda por minério de ferro está voltando forte, e a oferta dos produtores não atende totalmente essa demanda", disse o analista da SLW Pedro Galdi, ressaltando que a Vale fez a lição de casa, investindo mesmo durante a crise financeira internacional. Na avaliação de Galdi, o preço do minério deverá ter alta de 30% a 35% este ano.

 

A expectativa é que a companhia passe a ter ganhos de escala a partir do segundo trimestre, segundo o analista da Geração Futuro Rafael Weber. No primeiro trimestre, ainda pode haver pressão de custos decorrente da preparação da empresa para o crescimento esperado em 2010, conforme Weber. Já no segundo trimestre, a Vale terá incremento em sua receita devido ao reajuste de minério de ferro e não registrará mais esse aumento de custos. "O resultado serão margens bem melhores", diz o analista da Geração Futuro.

 

Weber destacou que não há projetos em andamento para elevar a oferta de minério de ferro de forma significativa nos próximos três anos e são esperados aumentos expressivos na cotação da commodity em 2010 e 2011. Ele ressaltou também que a China está consumindo mais minério, o que demanda volume maior de compras pelo país do insumo do mercado transoceânico.

 

"Mantemos visão otimista em relação à empresa por conta do minério de ferro. As negociações dos contratos e o mercado spot indicam aumento entre 40% e 50% do preço para este ano", diz o analista do banco Sicredi Carlos Kochenborger. Além da alta de preços, ele também espera aumento dos volumes vendidos. No quarto trimestre de 2009, o preço do minério caiu mais que o esperado, segundo o analista, que acrescenta que a companhia sentiu aumento dos custos de materiais em função da retomada das operações de níquel nas minas do Canadá que estavam em greve.

 

A Vale registrou Ebitda de US$ 2,145 bilhões (padrão US Gaap), 22,3% abaixo da média das projeções de sete instituições financeiras consultadas pela Agência Estado - Merrill Lynch, BTG Pactual, Deutsche Bank, J.P.Morgan, Itaú, Barclays Capital e Morgan Stanley - de US$ 2,761 bilhões.

 

O BTG Pactual reduziu a recomendação do American Depositary Receipt (ADR) preferencial da Vale de compra para neutra, após companhia ter divulgado resultados do quarto trimestre de 2009 abaixo da estimativa da casa. O preço-alvo do ADR ordinário da Vale foi revisto de US$ 32 para US$ 29, o que representa queda de 9,3%, enquanto o do ADR preferencial da Vale

passou de US$ 29 para US$ 26, com redução de 10,3%. O BTG Pactual espera que os resultados pesem nas ações da companhia, mas, diante das perspectivas positivas para o minério de ferro, elevou sua expectativa de alta dos preços da commodity de 20% para 30%.

 

O lucro líquido e a receita da Vale ficaram em linha com as projeções dos analistas. A mineradora obteve lucro líquido de US$ 1,519 bilhão, enquanto as projeções indicavam US$ 1,5 bilhão. Já a receita líquida foi de US$ 6,541 bilhões, em linha com a estimativa de US$ 6,519 bilhões. O lucro líquido teve alta de 11,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a receita caiu 12%. Os volumes vendidos ficaram abaixo das projeções de Galdi, da SLW. No caso do minério de ferro, por exemplo, o analista estimava 67,2 milhões de toneladas, acima das 60,6 milhões de toneladas registradas pela mineradora.

 

A alta do lucro apesar da queda da receita resultou de fatores como a melhora do resultado financeiro líquido, que ficou negativo em US$ 170 milhões, ante resultado negativo de US$ 979 milhões no mesmo período do ano anterior. Para a melhora do lucro contribuiu também a redução das despesas operacionais, incluindo as com vendas, administrativas, pesquisa e desenvolvimento e outras despesas operacionais e líquidas.

 

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