Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Analistas mostram otimismo para novas ofertas de ações em 2019

Eleição de Jair Bolsonaro elevaria demanda por ativos brasileiros por parte dos investidores estrangeiros; mercado vê ganho para Bolsa na semana pós-eleição

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2018 | 04h00

Os analistas do mercado financeiro demonstram otimismo em relação ao potencial de curto prazo para oferta de ações no mercado brasileiro. Segundo os profissionais, a confirmação da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para a Presidência da República vai trazer um alívio que pode elevar a demanda por ativos brasileiros por parte dos investidores estrangeiros, e citam também a recuperação econômica como um fator decisivo.

Para Alexandre Faturi, analista da Nova Futura Investimentos, o mercado estima uma mudança estrutural relevante após os resultados das eleições. “Considerando que o processo de abertura de capital é extenso e custoso, uma das decisões mais difíceis das empresas é definir o momento ideal do IPO. Historicamente, as empresas emissoras normalmente tentam sincronizar os seus IPOs em períodos de otimismo no mercado acionário, quando há perspectiva de retornos maiores”, completa Faturi. Para ele, haverá mais ofertas no próximo ano em relação a 2018.

Sergio Goldman, analista da Magliano Invest, cita inclusive a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em ações) realizada pela empresa de meios de pagamento Stone na Bolsa de Nova York. “A oferta da Stone, apesar de ter sido feita apenas nos EUA, mostrou que existe interesse por ativos brasileiros de qualidade, apesar das incertezas macroeconômica e política. Após a eleição, e principalmente para 2019, nossa expectativa é que haja mais sinais positivos de recuperação da economia, o que deve favorecer as ofertas de ações”.

Já Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, tem uma visão um pouco mais cautelosa sobre o ambiente para novas ofertas. Ele lembra que foram realizadas três ofertas este ano que movimentaram R$ 6,75 bilhões, ante um ano de 2017 com nove ofertas e captação de R$ 20 bilhões. A greve dos caminhoneiros e o aperto monetário nos Estados Unidos, além do cenário eleitoral, colocaram as empresas em compasso de espera.

Para 2019, Suzaki afirma que o número de ofertas vai depender, principalmente, da capacidade do novo governo de implementar reformas estruturais importantes, que vão permitir maior volume de investimentos e crescimento econômico. Para o analista, existe sim uma janela de oportunidade no final deste ano, mas ela também vai depender da montagem da equipe de governo.

Esse otimismo com a oferta de ações aparece também nas carteiras recomendadas, com a presença da B3 em diversos portfólios. A Magliano incluiu B3 ON no lugar de Cemig ON. “Vemos a ação da empresa como um veículo para exposição aos fundamentos macro do País. No médio prazo, esperamos uma retomada da economia que acabará levando a um aumento no volume de ofertas de ações e também a um aumento nos volumes nos diversos ativos negociados na B3”, diz a corretora.

Ultrapar ON entrou nas carteiras da Terra Investimentos e da Nova Futura. A Terra justifica a inclusão diante da queda de 50% acumulada no ano. Mesmo admitindo as dificuldades que levaram a esse cenário, os analistas da corretora acreditam em uma recuperação operacional dos postos Ipiranga, negócio mais importante dentro dos resultados da Ultrapar. “Além disso, destacamos que as ações negociam nos mesmos níveis que a BR Distribuidora, apesar de ser uma companhia privada e apresentar maiores margens e eficiência operacional”, diz a Terra.

 

Mercado vê ganho para Bolsa na semana pós-eleição

O otimismo sobre o desempenho do Ibovespa para a semana pós-eleição teve impulso no Termômetro Broadcast Bolsa. Entre 25 participantes, 72,00% disseram que a expectativa é de uma semana de ganhos, ante 62,07% na pesquisa anterior. A fatia dos que esperam baixa para o índice também cresceu, de 17,14% para 24,00%, e a dos que preveem estabilidade caiu de 20,69% para 4,00%. Nesta semana, o Ibovespa acumulou avanço de 1,78%.

O Termômetro Broadcast Bolsa tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento do índice na semana seguinte.

O mercado financeiro já começará a semana repercutindo o resultado da eleição presidencial, que deve, como indicam as pesquisas de intenção de voto, ter Jair Bolsonaro (PSL) como vencedor. A partir dessa definição, as atenções estarão voltadas ao possível anúncio de nomes que vão compor a equipe econômica, a como será feita a transição de governo e à agenda prioritária da nova gestão.

A semana que vem é mais curta para o mercado doméstico em função do feriado do Dia de Finados na sexta-feira, quando nos Estados Unidos será divulgado o relatório de emprego referente a outubro.

Na agenda local, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na quarta-feira e, de acordo com o consenso das apostas dos economistas, deve decidir pela manutenção da Selic em 6,50%. "Esperamos manutenção da taxa de juros, em reconhecimento da melhora do balanço de riscos e dos modelos de inflação para o horizonte previsível", disseram os economistas do Bradesco, em relatório.

A temporada de balanços corporativos prossegue nos próximos dias, com a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de grandes empresas como Cielo e B2W, além dos bancos - Itaú Unibanco, Santander e Bradesco.

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